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14/04/2012

Você sabe o que é termoterapia?

Com informações do IFSC
Você sabe o que é termoterapia?
Falar em termoterapia, hoje, inclui falar sobre aparelhos muito sofisticados e, sobretudo, em tratamentos térmicos sem dor. [Imagem: Sérgio Marcondes/IFSC]

Calor sem dor

A termoterapia é a cura de lesões através de aquecimento ou resfriamento do corpo.

Existem relatos do uso da técnica desde a Roma e a Grécia antigas.

Mas, como qualquer tipo de tratamento que tem sua origem datada de muitos anos, a evolução é uma consequência natural e necessária.

Assim, falar em termoterapia, hoje, inclui falar sobre aparelhos muito sofisticados e, sobretudo, em tratamentos térmicos sem dor.

Os modelos mais modernos utilizam-se de laser para o tratamento termoterápico e são capazes de curar, até mesmo, tumores superficiais.

Termoterapia a laser

A termoterapia a laser, que ganhou corpo a partir da década de 1990, utiliza a radiação emitida por um raio-laser para fazer uma interação com os tecidos do corpo.

O contato é direto: a fibra óptica, que também passou a fazer parte do dia-a-dia dos pesquisadores, serve de intermediário entre a radiação e o tecido humano, sendo o local por onde passa a radiação.

Mesmo que o tratamento já tenha evoluído expressivamente, a busca por sua eficiência prossegue, através do aprimoramento de seus componentes ou do desenvolvimento de novos materiais.

Pontas cristalinas micrométricas

Exemplo disso é a pesquisa desenvolvida Sérgio Marcondes do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP).

Juntamente com Antonio Carlos Hernandes e Marcello Andreeta, Sérgio produziu pontas cristalinas micrométricas para serem utilizadas na termoterapia pontual a quente, feita com raio laser.

Pontas de dimensões milimétricas e sub-milimétricas já existem e são utilizadas inclusive para outros tipos de termoterapia a quente.

No entanto, elas são feitas de metais ou carbono, e apresentam algumas desvantagens. No caso das pontas feitas de metal, elas podem ser facilmente danificadas e quimicamente corroídas. No caso do carbono, o material pode reagir com a atmosfera e esgotar-se no ar ou tornar-se frágil.

Você sabe o que é termoterapia?
Estrutura cristalina da ponta cerâmica para termoterapia, que os pesquisadores brasileiros fabricaram usando alumínio e terras raras. [Imagem: Sérgio Marcondes/IFSC]

Ponta de terras raras

No caso da termoterapia a quente com laser, cristais podem substituir esses materiais nas pontas, apresentando inúmeras vantagens.

Sérgio inovou criando pontas a partir de dois componentes químicos diferentes - alumina (Al2O3) e óxido de neodímio (Nd2O3), que abrem um leque maior de possibilidades e, consequentemente, trazem mais eficiência ao sistema.

"Se eu fabrico um material eutético [duas fases cristalinas, obtidas a partir de uma fase líquida], de alumina e zircônia, por exemplo, o primeiro possui [melhores] propriedades ópticas e o segundo [melhores] propriedades mecânicas. Assim, essas diferentes propriedades ampliam as aplicações.

"No caso de nossa pesquisa, as pontas cristalinas produzidas são mais maleáveis e geram calor devido à ação da radiação do laser de maneira mais eficiente, aproveitando-se das propriedades da alumina e do neodímio," explica o pesquisador.

A alumina é um óxido de alumínio, enquanto o neodímio é um metal da família das terras raras, muito comum em aplicações de alta tecnologia.

Cada ponta tem entre 300 e 600 micrômetros de diâmetro - 1 micrômetro equivale a um milímetro dividido em 1.000 partes.

Teste em clara de ovos

Com o protótipo construído, os pesquisadores estão agora começando os testes do novo equipamento médico, o que está sendo feito em claras de ovos.

"O uso da clara de ovo facilita a visualização do campo de aquecimento produzido por cada ponta e sua relação com a potência do laser usado para acoplar com a fibra. Esse procedimento experimental é rápido, simples e permite definir qualitativamente o efeito de cada ponta cristalina", afirma Hernandes.

Por ser um produto que permitirá realizar tratamentos em termoterapia a laser de abrangência pontual, mas precisa, os pesquisadores ainda não conseguem delimitar as suas aplicações, ressaltando que microcauterizações podem ser a principal função para qual irão servir as pontas, além do tratamento de pequenos tumores.

"Ainda não sabemos todas as potencialidades de uso ponta cristalina e estamos entrando em contato com profissionais da área de saúde para avaliar esse potencial", frisa Hernandes.

Tratamento térmico indolor

Os primeiros resultados são promissores: "Essas pontas, por possuírem efeito térmico indireto, em tese, podem evitar efeitos secundários em pacientes. Por exemplo, em um sistema de aquecimento por radiofrequência é muito mais difícil controlar a região aquecida, podendo atingir tecidos vizinhos", explica Andreeta.

Com esse dispositivo em mãos, um médico, conhecendo a potência do laser, poderá controlar a temperatura que sai da ponta de cristal e interage com a pele, por exemplo.

Depois da realização de testes em humanos, a pesquisa deverá criar tratamentos mais eficazes e indolores, provando que, não só as biológicas, mas também as ciências exatas trabalham em prol de tratamentos de saúde mais eficientes e com uma forte preocupação: o conforto do paciente.


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