Ultrassom no 1º trimestre de gravidez pode agravar autismo

Ultrassom e autismo

Analisando crianças com autismo e com uma classe de doenças genéticas associadas, pesquisadores descobriram que a exposição a ultrassons feitos no primeiro trimestre de gravidez está ligada a um aumento da gravidade do autismo no bebê desse gravidez, caso ele tenha a condição.

A equipe da Universidade de Washington e do Instituto de Pesquisas Infantis de Seattle (EUA) analisou a variabilidade dos sintomas entre as crianças com autismo, e não o que causa o autismo.

O que eles descobriram é que a exposição ao ultrassom no primeiro trimestre, um exame de rotina feito durante o exame pré-natal, está associada ao aumento da gravidade dos sintomas do transtorno do espectro autista.

A ligação mais forte foi identificada entre as crianças com algumas variações genéticas associadas com o autismo - 7% das crianças no estudo tinham essas variações.

Polêmica sobre os ultrassons na gravidez

Embora a OMS (Organização Mundial da Saúde) preconize três exames ultrassonográficos na gravidez, incluindo um no terceiro trimestre (entre 11 e 14 semanas), a agência de saúde dos EUA (FDA) recomenda que o ultrassom diagnóstico só seja utilizado para necessidades médicas específicas, e não como rotina ou rastreio.

O Ministério da Saúde brasileiro adota uma posição intermediária, afirmando em seu Manual Técnico Pré-natal e Puerpério que a "não realização de ultra-sonografia durante a gestação não constitui omissão, nem diminui a qualidade do pré-natal".

"Eu acredito que as implicações dos nossos resultados são para reforçar as orientações da FDA," disse o Dr Pierre Mourad, coautor do estudo, salientando que os resultados são sobre o exame de ultrassom realizado no primeiro trimestre de gravidez - dados analisando o efeito do ultrassom no segundo e no terceiro trimestre de gravidez não mostraram nenhuma ligação com a gravidade do autismo, acrescentou ele.

Variabilidade do autismo

"Está havendo uma verdadeira luta para saber por que há tantas crianças com autismo," disse a Dra Sara Webb, principal autora do trabalho. "A partir do que esta desordem se desenvolve e como as crianças ficam com autismo? E a segunda pergunta é por que as crianças com autismo são tão diferentes umas das outras?

"Este estudo foca a segunda questão. Dentre as crianças com autismo, quais são os fatores que podem resultar em uma criança com uma melhor situação ou QI mais elevado ou melhor linguagem ou menor gravidade, versus uma criança que seja mais fortemente atingida e que continua afetada por toda a vida?

O estudo foi publicado na revista Autism Research.


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