USP vai estudar intolerância e xenofobia

USP vai estudar intolerância e xenofobia
As consequências do contato entre culturas têm sido um desafio que pede, urgentemente, novas estratégias para que respostas desgastadas e perversas possam ser contornadas.
[Imagem: Ag.USP]

Diálogos interculturais

A interação entre pessoas e populações de diferentes culturas, com comunicação e transportes cada vez mais ágeis, vem ocorrendo de forma crescente.

Nesse contexto, aumentam as demonstrações de xenofobia, intolerância e de discriminação, seja por etnia ou por crença religiosa.

É com essa temática que o Grupo de Pesquisa de Diálogos Interculturais, criado em 2009 no Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, pretende contribuir.

"As consequências do contato entre culturas têm sido um desafio que pede, urgentemente, novas estratégias para que respostas desgastadas e perversas possam ser contornadas. É preciso partir de novas concepções", afirma a psicóloga e coordenadora do grupo, Sylvia Dantas.

O grupo tem entre suas atribuições a tarefa de estimular o intercâmbio científico e cultural entre a USP e instituições brasileiras e estrangeiras. Para isso, o instituto realiza convênios de cooperação ou faz convites específicos a pesquisadores e intelectuais com trabalhos representativos.

No primeiro ano de funcionamento, os estudiosos dos Diálogos Interculturais participaram de seminários internos e de troca de experiências. "Agora esperamos realizar eventos abertos e publicações para difundirmos nosso conhecimento", adianta a coordenadora.

Intolerância

Manifestações de intolerância podem ser vistas, segundo a professora, na internet e até mesmo no discurso de presidentes. "Recentemente tivemos, por exemplo, no Brasil, os casos de comunidades no Orkut como a 'Odeio nordestinos'. Elas estão sendo investigadas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal. Na França, o presidente [Nicolas Sarkozy] está enviando os ciganos, que têm cidadania europeia, de volta para a Romênia", conta.

Mas por que esse desrespeito acontece? De acordo com Sylvia, as culturas nascem de relações desiguais. "Temos, então, uma cultura dita dominante em relação a outras ditas minoritárias. Toda cultura é um processo permanente de construção, desconstrução e reconstrução que, em tempos de rápidos deslocamentos e constante contato intercultural, torna-se extremamente dinâmico. É preciso conhecimento desses processos e é daí que surge a importância de um grupo de estudiosos voltados para essas questões que são reais."

Os trabalhos dos pesquisadores abordam temas como gênero, homossexualidade, identidade étnica e imigração, entre outros. Os resultados podem colaborar, por exemplo, com a formulação de políticas públicas.

"Nossas pesquisas envolvem questões que estão ligadas ao convívio e às decorrências do contato nas diversas instituições sociais, como a família, a escola, a universidade e o espaço urbano. Elas apontam para a necessidade de implementar medidas concretas que assegurem o direito de cidadania a todos. Medidas que possibilitem um convívio a partir de trocas de respeito e conhecimento de fato do outro", afirma Sylvia.

Interdisciplinaridade

Os Diálogos Interculturais, que dão nome ao grupo, contam com pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, que, por meio do enfoque teórico e da metodologia de suas disciplinas, investigam as interações entre culturas e a repercussão para as pessoas e sociedades.

Além de pertencerem a diferentes áreas do saber, os estudiosos estão ligados a várias instituições, sendo algumas estrangeiras. A própria Sylvia compõe o corpo docente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e há professores da USP, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), entre outras.

No exterior, encontram-se pesquisadores como Lorenzo Agar, sociólogo da Universidade do Chile; Jeffrey Lesser, historiador da Universidade Emory, Judy Kuriansky, psicóloga da Universidade de Columbia, e Marcelo Suarez-Orozco, do Centro Estudos Migratórios da Universidade de Nova York, os três dos Estados Unidos; no Japão, Lucia Yamamoto trabalha com educação e psicologia na Universidade de Shizuoka.


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