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18/06/2013

Vaticano entra na controvérsia da prescrição de psicotrópicos para crianças

Redação do Diário da Saúde

O Vaticano parece estar preocupado com outras bíblias, sobretudo a chamada "bíblia da psiquiatria", ou DSM-5.

O novo Manual de Doenças Mentais chegou cercado de polêmica, acusado de inventar doenças para aumentar o mercado dos psiquiatras e de posturas mais específicas, como a de ajudar a perpetuar mito da loucura feminina.

As lideranças da Igreja Católica estão particularmente preocupadas com a prescrição em larga escala de psicotrópicos para crianças, o que é diretamente afetado pelas novas definições de "doenças mentais" dadas pelo manual DSM-5.

Psicotrópicos para crianças

Os medicamentos psiquiátricos já se estabeleceram como a primeira linha de tratamento para jovens com problemas emocionais e comportamentais.

Esses medicamentos são tradicionalmente conhecidos como ISRS (inibidores seletivos da recaptação da serotonina).

Ao mesmo tempo, a utilização da intervenção psicossocial está sendo deixada de lado.

Para discutir o assunto, o Vaticano organizou uma conferência com especialistas internacionais, colocando a todos a pergunta: "O aumento nas taxas globais de prescrição de psicotrópicos para crianças justifica-se com base nas evidências dos testes clínicos?"

Entre os participantes estavam o Dr. David Cohen - um dos mais citados especialistas no campo do diagnóstico do transtorno bipolar em crianças e adolescentes - e a Dra Joanna Moncrieff, psiquiatra e autora do livro "O Mito da Cura Química".

A equipe interdisciplinar incluía ainda o premiado jornalista Robert Whitaker (autor de Anatomia de uma Epidemia), Irving Kirsch (autor de As Novas Drogas do Imperador) e o renomado psiquiatra Sami Timimi.

Terapias psicossociais

O debate se concentrou não apenas sobre a adequação do tratamento com psicotrópicos para crianças e adolescentes, mas também sobre a segurança e a eficácia dos psicotrópicos em comparação com outros tratamentos.

A conclusão dos debatedores foi de que, com base nas melhores evidências científicas disponíveis, as terapias psicossociais devem ser a primeira escolha de qualquer profissional de saúde que esteja atendendo crianças e adolescentes com problemas comportamentais.

O Vaticano não divulgou como pretende usar as conclusões do evento.


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