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13/03/2012

Viagens espaciais causam danos aos olhos e cérebro dos astronautas

Redação do Diário da Saúde

Hipertensão intracraniana

Exames de ressonância magnética dos olhos e cérebros de 27 astronautas que passaram longos períodos de tempo no espaço revelaram anomalias ópticas graves.

As anormalidades são semelhantes às que podem ocorrer na chamada "hipertensão intracraniana de causa desconhecida", uma condição potencialmente grave na qual a pressão aumenta dentro do crânio.

Uma equipe de pesquisadores realizou exames de ressonância magnética e analisou os dados dos 27 astronautas, cada um dos quais foi exposto à microgravidade, ou gravidade zero, por uma média de 108 dias, tanto em missões dos ônibus espaciais quanto na Estação Espacial Internacional (ISS).

"As imagens de ressonância magnética revelaram várias combinações de anormalidades após a exposição cumulativa de curto e longo prazo à microgravidade que também são vistas na hipertensão intracraniana idiopática," afirmou o Dr. Larry A. Kramer, da Universidade do Texas em Houston.

Danos aos olhos e cérebro dos astronautas

As conclusões do estudo devem representar um grande problema para as agências espaciais do mundo todo, que planejam viagens espaciais mais longas - estima-se que uma missão a Marte duraria muito mais do que o período que os astronautas avaliados passaram no espaço.

Entre os astronautas com mais de 30 dias de exposição à microgravidade, os resultados incluíram:

  1. expansão do espaço do fluido cérebro-espinhal em torno do nervo óptico em nove dos 27 (33%) astronautas;
  2. achatamento da parte de trás do globo ocular em seis (22% );
  3. abaulamento do nervo óptico em quatro (15%);
  4. e alterações na glândula pituitária e sua conexão com o cérebro em três (11%) dos astronautas.

A glândula pituitária, ou hipófise, secreta e armazena hormônios que regulam uma variedade de funções importantes do corpo.

Com isto, os médicos afirmam ter registrado danos que não se restringem aos olhos, mas alcançam também o cérebro.

Astronautas e não-astronautas

Até agora, a perda mineral óssea e a atrofia muscular eram os únicos efeitos bem documentados da gravidade zero sobre os astronautas.

Estes dois efeitos têm sido contrabalançados por um rigoroso programa de atividades físicas no espaço.

Com o advento de viagens espaciais mais longas, será necessário desenvolver técnicas para compensar os danos aos olhos dos astronautas.

"Essas mudanças que ocorrem durante a exposição à microgravidade podem ajudar os cientistas a compreender melhor os mecanismos responsáveis pela hipertensão intracraniana [também] em pacientes que não sejam astronautas," estima o pesquisador.


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