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14/07/2015

Violência doméstica não é uma simples questão de poder

Redação do Diário da Saúde

Violência que se perpetua

A maioria dos homens que usa violência com suas parceiras luta contra sérios problemas de saúde mental.

"Nós precisamos olhar para mais do que apenas as relações de poder entre os sexos a fim de compreender e prevenir a violência doméstica," defende Ingunn Rangul Askeland, do Centro Norueguês para a Violência.

Segundo a pesquisadora, seis em cada dez homens que recebem tratamento para a violência doméstica contra suas parceiras foram eles próprios vítimas de violência na infância. Muitos deles também lutam contra a ansiedade, depressão e abuso de drogas. Sete em cada dez homens desse grupo se qualificam em ao menos um diagnóstico psiquiátrico.

"Isto não significa que todo homem que tem um diagnóstico psiquiátrico ou que tenha sido vítima de violência se torna ele próprio violento. Muitos deles gerem muito bem a situação. Mas ter sido exposto à violência torna-os mais vulneráveis para o desenvolvimento do comportamento violento.

"A maioria destes homens ou foi exposta à violência ou ao abuso, ou receberam poucos cuidados e atenção durante a infância. Como resultado, eles lutam com suas próprias relações e acham difícil regular e comunicar suas próprias emoções como adultos," acrescenta Askeland.

Teorias sobre violência doméstica

A violência doméstica tem sido percebida como consequência de uma cultura patriarcal, onde os homens sentem que podem fazer o que quiserem com as mulheres, de acordo com Askeland.

As abordagens teóricas e os tratamentos oferecidos aos infratores violentos foram desenvolvidos principalmente nos EUA e no Canadá na década de 1970, em estreita colaboração com o movimento feminista e os centros de crise.

A ideia subjacente era que, a fim de prevenir a violência doméstica, as estruturas sociais precisavam mudar, assim como os homens. O tratamento consiste tipicamente em terapias de grupo.

A alegação de que homens violentos são doentes mentais ou que tenham sido vítimas de violência na infância foi considerado como uma declaração para tentar fugir da responsabilidade.

Abordagem individual

Askeland está entre os psicólogos que criticam o foco estrutural sobre as relações de poder de gênero e o controle nos programas de tratamento para a violência doméstica. Ela é de opinião que uma abordagem terapêutica para a violência doméstica deveria ser baseada na psicologia, com o indivíduo em questão como um ponto de partida.

"Isto não significa que a maioria dos psicólogos pense que ter uma perspectiva de gênero sobre a violência doméstica é um desperdício de tempo. O ponto é que isto não é suficiente. Precisamos olhar para o presente e o passado da vida desses homens violentos a fim de compreender e prevenir a violência doméstica," concluiu ela.


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