Vírus é filmado infectando uma célula pela primeira vez

Vírus é filmado infectando uma célula pela primeira vez
O vírus T7 possui seis "pernas" presas na base de sua cabeça, que ele usa para se locomover sobre a superfície da célula que vai infectar.
[Imagem: Hu et. al. 2013/Science Express]

Robô vivo

Cientistas conseguiram filmar pela primeira vez um vírus invadindo uma célula.

A descoberta do mecanismo de infecção é importante para que os cientistas descubram formas de evitá-la.

Ian Molineux e seus colegas da Universidade do Texas (EUA) revelaram detalhes das mudanças na estrutura do vírus T7 conforme ele infectava uma bactéria E. coli.

O processo lembra um robô atuando na execução de uma tarefa, embora um robô capaz de encontrar a melhor maneira de fazê-lo.

Como um vírus infecta uma célula

Para infectar uma célula, um vírus deve primeiro encontrar uma célula adequada, e então inserir nela seu material genético.

Após encontrada a célula, o processo é muito rápido.

O vírus estende uma ou duas de suas seis fibras externas, que lembram antenas, mas que normalmente ficam enroladas na base de sua "cabeça".

O vírus usa essas fibras como se fossem pernas, que ele usa para se locomover sobre a superfície da célula, em busca do melhor ponto para a invasão.

Encontrado o ponto ótimo, o vírus passa por uma alteração estrutural, conforme ele injeta algumas de suas proteínas através da membrana externa da célula, criando um caminho para passagem de seu material genético.

Quando o DNA viral é passado para a célula, o caminho de proteínas se rompe, permitindo que a célula conserte sua membrana.

Vírus é filmado infectando uma célula pela primeira vez
Acima as imagens do processo de infecção do vírus real. Embaixo, um esquema mostrando o que acontece em cada etapa.
[Imagem: Hu et. al./Science Express]

Vírus que andam

"Embora muitos desses detalhes sejam específicos para o T7, o processo como um todo muda completamente nosso entendimento de como um vírus infecta uma célula," disse o Dr. Molineux.

Por exemplo, os pesquisadores agora sabem que a maioria das fibras é normalmente ligada à cabeça do vírus, em vez de serem "antenas" estendidas espalhadas pela superfície, como se pensava.

E que essas fibras estão em um equilíbrio dinâmico entre estados recolhido e estendido também é algo novo.

Molineux afirmou que a ideia de que os fagos "andam" sobre a superfície celular foi proposta anteriormente, mas esta é a primeira evidência experimental de que é exatamente isso que acontece.


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