Vírus gigante é descoberto na Amazônia

Vírus gigante descoberto na Amazônia tem genoma sequenciado
"Comparado ao vírus da poliomielite, a proporção seria a mesma entre um ser humano e o maior dinossauro já descrito no planeta."
[Imagem: Centro de Microscopia da UFMG]

Pesquisadores da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) encontraram nas águas do Rio Negro, em plena floresta amazônica, o maior vírus já identificado no Brasil.

O vírus gigante foi batizado de Samba Vírus.

"Comparado ao vírus da poliomielite, a proporção seria a mesma entre um ser humano e o maior dinossauro já descrito no planeta", compara o professor Jônatas Abrahão.

Não bastassem suas proporções incomuns - ele é maior que muitas bactérias - o Samba Vírus possui genoma complexo, com genes só encontrados em células e que nenhum vírus de outra espécie codifica.

Além disso, ele sobrevive em um ecossistema especial com uma dinâmica que envolve a ameba que abriga vírus gigante e com um tipo pequeno de vírus que o acompanha de perto, chamado vírus Rio Negro.

Mimivírus

Segundo o professor Jônatas Abrahão, o Samba é não apenas o maior vírus identificado no Brasil, mas também o maior genoma de um vírus já sequenciado no país.

O primeiro vírus gigante foi encontrado em 1992 - seu nome é Acanthamoeba polyphaga mimivirus (APMV) - mas foi inicialmente confundido com uma bactéria, dúvida que só se desfez quando seu genoma foi sequenciado. Novas descobertas posteriores criaram a classe dos mimivírus.

O genoma do Samba tem 50 mil pares de bases a mais que o do vírus protótipo APMV, que possui cerca de 1,2 milhão de pares de bases.

"Percentualmente a diferença parece pequena, mas pode corresponder a diversos novos genes", diz o professor. Essa diferença pode indicar, por exemplo, fatores relacionados ao ambiente em que ele foi isolado, como a intensa insolação e a acidez do rio, que é causada pelos resíduos de decomposição da floresta.

Mais vírus gigantes

Se o Samba Vírus foi o primeiro a ter seu genoma codificado, a equipe já tem em laboratório vários outros vírus coletados em suas expedições.

Entre eles estão o Niemayer Vírus, encontrado na Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte; e o Cipó Vírus, localizado na Serra do Cipó, em Minas Gerais.

"Onde há matéria orgânica, como lagoas, há amebas. E amebas podem conter vírus gigantes. A lógica é essa", diz o pesquisador, que também está investigando a presença desses microrganismos no Pantanal mato-grossense.

Em termos mundiais, o maior vírus conhecido, chamado Pandoravirus salinus, foi caracterizado por uma equipe francesa no ano passado.

Domínios da vida

Até a descoberta dos mimivírus, os vírus eram seres que não se enquadravam na classificação proposta pela ciência para entender as linhagens primárias de vida.

A biologia divide hoje as formas de vida celular em três grupos, denominados domínios da vida.

Os três domínios são Eubacteria, que inclui as bactérias; Archaea, grupo que congrega os procariontes não enquadrados na classificação anterior; e Eukaria, que reúne todos os eucariontes, ou seres vivos com núcleo celular organizado.

Essa classificação não inclui os vírus, devido à ausência neles de algumas das características definidoras de vida. "A existência dos vírus gigantes fortaleceu a proposta de um quarto domínio", comenta Jônatas Abrahão.


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