20/05/2020

Pesquisa: Deus quer que eu ame igualmente pessoas das outras religiões

Redação do Diário da Saúde
Pesquisa: Deus quer que eu ame igualmente pessoas das outras religiões
Quem vê Deus nas pequenas coisas é mais feliz[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Deus e os outros

Já se sabe que acreditar em um Ser Superior - ou uma entidade sobrenatural - que policia o comportamento moral entre as pessoas ajuda a melhorar o comportamento pró-social entre aqueles que compartilham dessa crença.

Mas será que esses efeitos se estendem aos membros de diferentes grupos religiosos? Por exemplo, será que os crentes de uma religião lidam melhor com membros de outras religiões ou com ateus em razão de sua crença?

Esta é uma questão crucial, bastando lembrar-se dos inúmeros conflitos étnico-religiosos que perduram ao redor do globo.

Michael Pasek e Jeremy Ginges queriam respostas para essas perguntas, e foram procurá-las comparando grupos religiosos muito diferentes: cristãos, hindus e muçulmanos da Ilha de Fiji e judeus de Israel.

Em todos os casos, os crentes religiosos veem Deus como incentivando as pessoas a tratarem os outros - de outras crenças - de uma maneira mais universal e mais igualitária.

Os experimentos fazem parte de um projeto mais amplo, liderado por Ginges e financiado pela Fundação Templeton e pela Fundação Nacional de Ciências dos EUA, que investiga o efeito da crença religiosa nas relações entre diferentes comunidades etno-religiosas.

Religião e coesão social

Seja exemplificado através das cruzadas, do Holocausto ou da perseguição moderna dos muçulmanos uigures na China, a religião é frequentemente implicada como fonte de conflito entre grupos. Isso leva muitos a acreditar que a diversidade religiosa torna as sociedades menos coesas.

"Ao contrário da opinião popular, nossos resultados sugerem que, pelo menos em alguns contextos, a crença religiosa pode atenuar, em oposição a promover, a tensão religiosa," disse Pasek.

A equipe realizou três experimentos, compreendendo dois estudos de campo com cristãos, hindus e muçulmanos em Fiji (727 pessoas no total) e um estudo on-line com judeus israelenses (539 pessoas).

Em todos os experimentos, foi perguntado às pessoas se um transeunte deveria sacrificar sua vida para salvar cinco indivíduos presos em uma casa em chamas. Em um cenário, as pessoas presas eram da mesma religião que o entrevistado. Em outro cenário, as pessoas presas eram de uma religião diferente da pessoa entrevistada. Para cada cenário, os participantes também indicaram qual ação eles achavam que Deus preferiria.

Pesquisa: Deus quer que eu ame igualmente pessoas das outras religiões
A antropomorfização de Deus está presente na arte de todos os tempos - mas a percepção da aparência de Deus está mudando.
[Imagem: Wikimedia]

O que Deus quer que você faça

Ao longo de todos os experimentos e entre todos os grupos religiosos, quando os participantes não pensavam uniformemente que os membros fora do seu grupo devessem ser salvos, eles acreditavam que Deus teria mais probabilidade do que eles de querer que um membro do seu grupo sacrificasse sua vida para salvar os membros do outro grupo.

E, quando as pessoas demonstravam preferência por salvar mais membros do seu próprio grupo do que membros do outro grupo, elas também pensavam que Deus teria menos probabilidade de apoiar tal favoritismo em relação a seu grupo.

Segundo Pasek, "isso sugere que o potencial das crenças religiosas para promover a cooperação entre grupos não se limita apenas aos membros de religiões proselitistas, como o cristianismo e o islamismo".

"Uma contribuição fundamental da nossa pesquisa," explica ele, "é que ela estende o conhecimento a populações pouco estudadas, como os cristãos indígenas iTaukei nas Ilhas Fiji, ajudando os psicólogos a construir teorias que se generalizam além dos contextos WEIRD."- weird é uma sigla para agrupar as culturas ocidentais, educadas, industrializadas e democráticas (western, educated, industrialized, republican, democratic).

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

URL:  

A informação disponível neste site é estritamente jornalística, não substituindo o parecer médico profissional. Sempre consulte o seu médico sobre qualquer assunto relativo à sua saúde e aos seus tratamentos e medicamentos.
Copyright 2006-2016 www.diariodasaude.com.br. Cópia para uso pessoal. Reprodução proibida.