27/12/2019

Estudantes têm grande dificuldade em discernir fatos de ficção

Redação do Diário da Saúde
Estudantes têm grande dificuldade em discernir fatos de ficção
Embora os idosos sejam mais propensos a espalhar notícias falsas, este estudo mostra que os jovens acreditam nelas muito facilmente.[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Resultados preocupantes

Mais de 96% dos estudantes pesquisados no ensino médio não conseguiram detectar que os laços com a indústria de combustíveis fósseis podem afetar a credibilidade de um site sobre mudanças climáticas.

E mais da metade deles acreditou em um vídeo de baixa qualidade no Facebook que alegava mostrar que a inserção de votos constituía "fortes evidências" de fraude eleitoral nos Estados Unidos - quando as imagens nem sequer haviam sido feitas naquele país.

"Se os resultados puderem ser resumidos em uma única palavra, eu diria que são preocupantes," disse Sam Wineburg, professor de educação e história da Universidade de Stanford (EUA).

Isto porque são evidências preocupantes de que os potenciais jovens eleitores não têm as habilidades necessárias para julgar a confiabilidade das informações on-line, dizem os pesquisadores.

Notícias falsas

Ante as preocupações generalizadas sobre o impacto das "notícias falsas" nas eleições presidenciais em várias partes do mundo, formuladores de políticas e educadores adotaram uma variedade de iniciativas para abordar a questão, incluindo legislações punitivas, mas também recursos para instrução e alfabetização em mídias.

O novo estudo sugere que esses esforços falharam, ao menos no caso dos EUA. Entre junho de 2018 e maio de 2019, os pesquisadores administraram seis tarefas a 3.446 estudantes de 16 distritos escolares de 14 estados, representando uma seleção diversa que correspondia ao perfil demográfico dos estudantes do ensino médio. O objetivo dos testes era medir a capacidade dos estudantes em avaliar fontes digitais na internet.

Uma tarefa fornecia aos alunos um link para o site de uma organização que alegava "disseminar relatórios factuais e comentários sólidos" sobre os efeitos do dióxido de carbono no meio ambiente. Os estudante podiam fazer pesquisas na internet para responder à pergunta sobre se o site era uma fonte confiável de informações. Uma pesquisa básica era suficiente para revelar que as empresas de combustíveis fósseis financiaram a organização que mantém o site - mas mais de 96% dos estudantes não consideraram essas ligações espúrias ao responder à pergunta e confiaram no site.

Outra tarefa procurava mensurar a capacidade dos alunos em avaliar a credibilidade de um vídeo postado no Facebook que mostrava clipes de trabalhadores nas eleições secretamente enfiando cédulas nas urnas de votação. As legendas do vídeo diziam que os clipes retratavam as eleições primárias democratas de 2016 em três estados dos EUA, embora os clipes realmente mostrem uma fraude eleitoral na Rússia. Questionados sobre se o vídeo forneceu "fortes evidências" de fraude eleitoral durante as primárias democratas de 2016, 52% dos estudantes disseram que sim.

"Ao aceitar esses sites e vídeos pelo valor de face, os alunos estão facilitando demais para que os maus atores minem a fé no processo democrático," disse Wineburg. "Democracias prósperas precisam de cidadãos que possam avaliar e acessar informações confiáveis".

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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