14/02/2023

Hormônio do amor falha de novo: O amor continua sem ele

Redação do Diário da Saúde
A falta do hormônio não teve efeitos sobre o relacionamento dos casais, mas teve efeitos biológicos negativos para os filhotes.
[Imagem: Kristen M. Berendzen et al. - 10.1016/j.neuron.2022.12.011]

Amor sem hormônio

O neuro-hormônio oxitocina, ou ocitocina, é bem conhecido por promover laços sociais e gerar sentimentos prazerosos.

Contudo, hoje já se sabe que, embora seja conhecido como hormônio do amor, a ocitocina tem muitas outras funções, incluindo alguns papéis sem qualquer ligação com o amor.

Para ajudar a esclarecer as polêmicas que se criaram no meio científico sobre esse hormônio, Kristen Berendzen e seus colegas da Universidade da Califórnia de São Francisco pegaram pequenas cobaias, chamadas arganazes-da-pradaria, que formam casais monogâmicos, e então manipularam geneticamente algumas delas para que não apresentassem os receptores para o "hormônio do amor".

A hipótese era que, se a ocitocina fosse realmente o hormônio do amor e dos relacionamentos sociais, os animais não sensíveis a ele deveriam perder o interesse no companheiro e na família.

O que se viu, contudo, é que os animais sem ocitocina continuaram se relacionando normalmente com seus companheiros e filhotes, contradizendo as suposições de longa data sobre o quão essencial é o hormônio para esses comportamentos.

Hormônio multifunção

A oxitocina é liberada em nossos cérebros durante momentos de intimidade romântica, paternidade e outras formas de vínculo social, bem como durante o trabalho de parto e a lactação.

De fato, os pesquisadores descobriram que os filhotes nascidos de mães sem os receptores de oxitocina pesavam significativamente menos quando atingiram a idade de desmame, sugerindo que a mãe tinha problemas com a produção de leite ou com a amamentação - eles também eram menos propensos a sobreviver até a idade de desmame.

Assim, embora a união do casal e outros comportamentos sociais importantes não tenham sido afetados, os receptores de oxitocina ainda parecem desempenhar um papel substancial no desenvolvimento dos filhotes, mas em termos biológicos, e não de comportamento e cuidado.

Esta conclusão vem se juntar a outros estudos que mostraram a maior amplitude desse hormônio, que mostraram que a ocitocina tem propriedades curativas para o coração, previne o surgimento da osteoporose e até poderá ser usado contra Alzheimer.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Oxytocin receptor is not required for social attachment in prairie voles
Autores: Kristen M. Berendzen, Ruchira Sharma, Maricruz Alvarado Mandujano, Yichao Wei, Forrest D. Rogers, Trenton C. Simmons, Adele M.H. Seelke, Jessica M. Bond, Rose Larios, Nastacia L. Goodwin, Michael Sherman, Srinivas Parthasarthy, Isidero Espineda, Joseph R. Knoedler, Annaliese Beery, Karen L. Bales, Nirao M. Shah, Devanand S. Manoli
Publicação: Neuron
DOI: 10.1016/j.neuron.2022.12.011
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