28/09/2020

Seja generoso e viva mais

Redação do Diário da Saúde
Seja generoso e viva mais
Está crescendo mundialmente o movimento pela implantação da Renda Básica Universal, sobretudo depois que experimentos na Finlândia desbancaram os argumentos contrários ao mecanismo de redistribuição de renda.
[Imagem: Nattanan Kanchanaprat/Pixabay]

Generosidade paga em anos de vida

O ato de dar e receber aumenta o bem-estar: Quem recebe se beneficia diretamente com o presente, e quem dá se beneficia indiretamente por meio da satisfação emocional.

Pesquisadores agora estão sugerindo que aqueles que compartilham mais também vivem mais.

Em sua análise, Fanny Kluge e Tobias Vogt, do Instituto Max Planck de Pesquisa Demográfica (Alemanha), encontraram uma forte relação linear entre a generosidade de uma sociedade e a expectativa de vida média de seus membros.

Eles demonstraram que as pessoas estão vivendo mais em sociedades cujos membros apoiam mais uns aos outros.

"A novidade em nosso estudo é que, pela primeira vez, combinamos os pagamentos de transferência do estado e da família e avaliamos o efeito.

"Nossas análises sugerem que a redistribuição [de renda] influencia a taxa de mortalidade de um país, independentemente do produto interno bruto per capita," disse Fanny Kluge.

Transferências de renda

Os pesquisadores usaram dados de 34 países. Para todos os países, as transferências de renda governamentais e privadas - recebidas e pagas por cada indivíduo ao longo de sua vida - foram somadas e comparadas com a renda média ao longo da vida.

Por exemplo, embora a África do Sul seja economicamente mais desenvolvida do que outros países africanos, poucos recursos são redistribuídos no país. Com isso, a taxa de mortalidade é relativamente elevada, assim como a taxa de mortalidade de crianças e jovens até os 20 anos também é mais elevada do que nos outros países estudados.

Já outras sociedades - nos países da Europa Ocidental e no Japão - transferem muita renda para os mais jovens e para os mais velhos, apresentando taxas de mortalidade muito baixas.

Os países estudados na América do Sul também têm altos pagamentos de transferência, com as pessoas compartilhando mais de 60% da renda média de sua vida com outras pessoas por meio do sistema tributário, de seguridade ou de saúde. Com isto, as taxas de mortalidade são mais baixas do que na África Subsaariana, mas mais altas do que as da Europa Ocidental, Austrália, Japão e Taiwan, que redistribuem ainda mais.

Na França e no Japão, os dois países com as taxas de mortalidade mais baixas de todos os países estudados, um cidadão médio compartilha entre 68 e 69 por cento de sua renda vitalícia. Com isto, o risco de morte no próximo ano é apenas metade maior daquele das pessoas com mais de 65 anos na China ou na Turquia, onde entre 44 e 48% da renda vitalícia é redistribuída.

"O que acho particularmente interessante é que a relação entre generosidade e renda vitalícia que descrevemos não depende se os benefícios vêm do estado ou das famílias em geral," disse Kluge. "Ambos os fatores fazem com que a população viva mais em comparação com sociedades com menos pagamentos de transferência."

Checagem com artigo científico:

Artigo: Intergenerational resource sharing and mortality in a global perspective
Autores: Tobias Vogt, Fanny Kluge, Ronald Lee
Publicação: Proceedings of the National Academy of Sciences
DOI: 10.1073/pnas.1920978117
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