
Teste de hormônio antimulleriano
Um número crescente de mulheres está utilizando exames de sangue para avaliar sua fertilidade, mas novas pesquisas indicam que esse método pode não fornecer as respostas que muitas procuram.
Gizat Kassie e colegas de universidades na Austrália e Nova Zelândia constataram que os pedidos de testes de hormônio antimulleriano (AMH) por parte dos clínicos gerais aumentaram mais de 13 vezes entre 2011 e 2021, apesar das crescentes evidências de que esse teste não consegue prever se uma mulher engravidará naturalmente - nem agora, nem no futuro.
O AMH é frequentemente comercializado como um teste de fertilidade ou "contagem de óvulos" porque mede a reserva ovariana, ou seja, o número de óvulos restantes nos ovários. No entanto, os pesquisadores afirmam que muitas mulheres e médicos interpretam erroneamente o que os resultados podem indicar.
"Muitas mulheres procuram o teste de AMH porque querem entender sua fertilidade futura. Mas, embora o AMH possa medir a reserva ovariana, ele não pode dizer a uma mulher saudável qual a probabilidade de ela engravidar, a rapidez com que isso ocorrerá ou quanto tempo reprodutivo ainda lhe resta," destacou o professor Luke Grzeskowiak, coordenador do estudo.
Segundo o pesquisador, uma das maiores preocupações com o uso e interpretação inadequada do teste é o impacto psicológico: "As mulheres podem se sentir pressionadas a antecipar planos para ter filhos após um resultado baixo, enquanto um resultado normal pode gerar uma falsa sensação de segurança caso existam outros problemas de fertilidade," destacou Grzeskowiak.
Não é uma palavra final
O estudo revelou que quase uma em cada cinco mulheres obteve um resultado classificado como baixo na reserva ovariana. No entanto, entre as mulheres que repetiram o teste após um resultado baixo, cerca de um terço obteve posteriormente um resultado dentro da faixa normal.
"Um resultado baixo de AMH não significa que uma mulher seja infértil, e um resultado normal não garante fertilidade futura," destacou Grzeskowiak. "Nossa preocupação é que as mulheres possam estar tomando decisões importantes sobre relacionamentos, planejamento familiar ou congelamento de óvulos com base em informações que não respondem às suas principais dúvidas."
Segundo o especialista, um resultado de AMH baixo não significa infertilidade absoluta e nem um impedimento total a uma gravidez natural, desde que esteja ocorrendo ovulação. A recomendação é que o resultado do teste seja sempre interpretado por um especialista, que deverá também estar de posse da contagem de folículos antrais, obtida por ultrassom, e levando em conta a idade da paciente.
"Para as mulheres mais jovens, em particular, o resultado do exame de AMH não deve ser visto como uma previsão definitiva para o seu futuro reprodutivo," destacou Grzeskowiak.
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