
Doença renal crônica
Uma nova ferramenta digital promete antecipar em anos o diagnóstico da doença renal crônica. O pulo do gato está na capacidade do aplicativo de identificar sinais de alerta em exames considerados "normais" pelos padrões atuais.
Depois de mapear a função renal de mais de 1,1 milhão de pessoas, Yuanhang Yang e colegas do Instituto Karolinska (Suécia) usaram os dados para gerar tabelas de referência que comparam o desempenho dos rins de um indivíduo com a média de sua faixa etária e sexo.
As tabelas mostraram "riscos ocultos" - não previstos pelas métricas atuais - mesmo quando os resultados de cada paciente estavam estritamente dentro dos limites estipulados como normais para os exames laboratoriais.
"Nós nos inspiramos nas tabelas de crescimento e peso usadas em pediatria, que ajudam intuitivamente os médicos a identificar crianças com risco de obesidade ou baixo crescimento," contou Yang.
Doença silenciosa
A doença renal crônica é um problema de saúde global crescente, afetando até 15% dos adultos e com previsão de se tornar uma das principais causas de morte até 2040. O grande desafio clínico é a sua natureza silenciosa: Muitos pacientes só recebem o diagnóstico após perderem mais da metade da função renal, momento em que as opções de tratamento são severamente limitadas.
Atualmente, a avaliação baseia-se na Taxa de Filtração Glomerular Estimada (eGFR), mas a dependência de um valor de corte único para toda a população ignora variações individuais importantes relacionadas ao envelhecimento natural de cada pessoa.
Yang então criou uma calculadora baseada em percentis. A análise de sete milhões de testes realizados ao longo de 15 anos demonstrou que indivíduos cuja função renal está abaixo do percentil 25 para sua idade enfrentam um risco significativamente maior de evoluir para falência renal, exigindo diálise ou transplante. Por exemplo, uma mulher de 55 anos com uma taxa de filtração de 80 ml/min pode ser considerada saudável por critérios comuns, mas, ao ser situada no percentil 10 de sua faixa etária, revela-se que ela apresenta um risco três vezes maior de complicações futuras.
A aplicação prática desta nova ferramenta permitirá fazer intervenções precoces, como a realização de testes adicionais de proteína na urina para identificar danos aos rins. A ferramenta foi disponibilizada gratuitamente online para profissionais de saúde no endereço https://scream.meb.ki.se/egfr-percentiles/, o que permitirá que ela transforme a rotina clínica, com ações preventivas que poderão retardar a progressão da doença, antes da ocorrência de danos irreversíveis.
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