13/04/2026

Confúcio pode salvar universidades ocidentais de sua crise de identidade

Redação do Diário da Saúde
Confúcio pode salvar universidades ocidentais de sua crise de identidade
Confúcio pode ter as respostas para a crise do sistema ocidental de universidades, cada vez mais voltadas para o aspecto econômico.
[Imagem: Diário da Saúde/Gerado por IA]

Confúcio e as universidades

Há uma crise de identidade permeando as universidades de todo o mundo. Os sistemas de ensino superior baseiam-se predominantemente no modelo anglo-americano de universidade de pesquisa, mas esse modelo tem sido cada vez mais criticado por sua dependência excessiva de valores neoliberais, reduzindo a educação a resultados econômicos, enquadrando os estudantes como consumidores e priorizando rankings institucionais em detrimento do desenvolvimento humano.

Ao mesmo tempo, os rápidos avanços na inteligência artificial (IA) e a massificação sem precedentes do ensino superior estão remodelando as próprias condições de funcionamento das universidades - desde 1990, a proporção global de jovens que frequentam o ensino superior aumentou de 14% para 40%.

Diante dessa crise de identidade, pesquisadores estão propondo um novo olhar sobre a universidade a partir da filosofia de Confúcio, sábio chinês que viveu entre 551 e 479 a.C. e cuja doutrina, conhecida como confucionismo, propõe a harmonia social e o cultivo da virtude como caminho para formar pessoas nobres e virtuosas através da educação.

Catherine Gao e Rui Yang, da Universidade Hong Kong, resgataram os ideais confucionistas de junzi, o indivíduo ideal, e tianxia, a ordem social bem estruturada, para mostrar como o ensino superior pode servir de ponte entre a formação pessoal e o bem coletivo.

Educação confuciana

A obra mais importante dos ensinamentos de Confúcio, chamada Os Analectos, destaca quatro características da visão educacional do filósofo que a distinguem dos modelos ocidentais dominantes.

Primeiro, a edução para Confúcio é relacional: Em vez de privilegiar o indivíduo autônomo, o filósofo coloca os relacionamentos como origem e meta da educação. Segundo, ela é contextualizada e praticável: Os ensinamentos são situados, adaptáveis e orientados à ação, unindo conhecimento e prática. Terceiro, a educação é movida por um chamado interior: A autorregulação parte da motivação interna do indivíduo, não da imposição externa de regras. E, por fim, a educação é unificada e coerente: O cultivo de si mesmo e a construção da ordem social são tecidos numa única busca indissociável.

Os dois pesquisadores reconhecem as limitações históricas de Confúcio - em sua época, o acesso à educação era restrito à nobreza, e seu currículo dava menos ênfase a conhecimentos práticos como a agricultura, mas eles argumentam que essas limitações não diminuem a relevância contemporânea do arcabouço. Além disso, o modelo de universidade ocidental também foi fundamentado em uma época em que a educação era apenas para os nobres.

Com a massificação do ensino superior permitindo que mais pessoas do que nunca possam vislumbrar e trabalhar por ideais que transcendem interesses pessoais, e com a IA exigindo não apenas habilidades técnicas, mas um renovado senso de responsabilidade relacional e propósito ético, os pesquisadores concluem: É hora de ir além da visão estreita e competitiva do ensino superior neoliberal e reimaginar o que significa educar pessoas para um mundo fragmentado, porém profundamente interconectado.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Governing the Objectives of Higher Education: A Revisit of Confucius Dual Imaginaries of the Ideal Man (Junzi) and Social Order (Tianxia)
Autores: Catherine Yuan Gao, Rui Yang
Publicação: ECNU Review of Education
DOI: 10.1177/20965311261421645
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