20/05/2019

Nova técnica diferencia Alzheimer de outras demências

Com informações da Agência Fapesp
Brasileiros validam método para diferenciar Alzheimer de outras demências
Pelo mapa do cérebro elaborado com a nova metodologia é possível identificar facilmente o acúmulo de placas amiloides no grupo de pacientes com doença de Alzheimer.
[Imagem: Duran et al. - 10.1590/1516-4446-2017-0002 ]

Identificação do Alzheimer

Pesquisadores validaram no Brasil uma metodologia capaz de mapear o acúmulo das proteínas beta-amiloide no cérebro humano por meio de tomografia por emissão de pósitrons (PET, na sigla em inglês). Em pacientes com Alzheimer, esse peptídeo se agrupa de forma anômala e promove a deposição de placas no córtex cerebral.

Aliada a outras análises, a metodologia constitui uma ferramenta importante para diferenciar casos de doença de Alzheimer de outras demências degenerativas.

O trabalho envolveu a validação da metodologia de produção do radiofármaco usado no teste. Denominado 11C-PIB, o radiofármaco atua como um marcador do acúmulo de peptídeo beta-amiloide no cérebro humano. Ele foi desenvolvido na Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, é um produto sem patente e com comercialização limitada, sobretudo por ter meia-vida física muito curta.

"Durante o projeto de pesquisa, foi possível produzir o radiofármaco no Brasil, visto que já era utilizado em grandes centros de pesquisa fora do país. Além de conseguirmos validar a metodologia, fizemos testes pré-clínicos em animais e, na sequência, a metodologia foi aplicada em pacientes voluntários," contou o Dr. Geraldo Busatto Filho, da Faculdade de Medicina da USP.

Radiofármaco

O diagnóstico da doença de Alzheimer ainda é complexo, por vezes tardio e feito por exclusão de outras causas de demência. Isso porque os processos neurodegenerativos que caracterizam a doença se iniciam anos antes de surgirem os primeiros sintomas, como perda de memória e dificuldade para acompanhar conversas mais complexas ou para resolver problemas.

De acordo com os pesquisadores, a validação de marcadores - como o 11C-PIB - tem o potencial de viabilizar o diagnóstico precoce e mais preciso, além de dar uma nova perspectiva para a doença, permitindo que, no futuro, novos tratamentos sejam testados.

Assim como a produção do radiofármaco, realizar o exame em pacientes voluntários não é das tarefas mais fáceis. Isso porque o produto é marcado com isótopo radioativo (carbono 11), que tem meia-vida física de apenas 20 minutos. Quando o isótopo decai, emite dois raios gama e forma a imagem das placas amiloide no equipamento de tomografia por emissão de pósitron.

Depois de validar no Brasil a metodologia de detecção de placas amiloide no cérebro, os pesquisadores usaram um software para construir "mapas cerebrais estatísticos". Os gráficos mostram a comparação das médias de 17 voluntários com suspeita de Alzheimer com as de outros 19 idosos saudáveis como grupo de controle.

"Pelo mapa estatístico, é possível identificar facilmente o acúmulo de placas amiloides no grupo de pacientes com doença de Alzheimer, quando comparado ao grupo de voluntários saudáveis. As regiões do córtex estão claramente diferentes. Os mapas estatísticos são daquelas imagens que falam mais do que mil palavras," disse Busatto.

É importante ressaltar que o mapeamento cerebral pelo radiofármaco 11C-PIB não pode ser considerado, de forma isolada, um diagnóstico da doença de Alzheimer, nem um indicador de gravidade. Ele serve para diferenciar casos de Alzheimer de outras demências. Embora já tenha sido testada em voluntários, ainda não está liberada para uso na rotina clínica.


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