23/10/2019

Enfraquecimento na velhice pode ter origem nervosa, e não muscular

Redação do Diário da Saúde
Enfraquecimento na velhice pode ter origem nervosa, e não muscular
Rumo à longevidade: você não precisa ficar frágil conforme envelhece. De fato, outras pesquisas mostraram que você pode escolher como será seu envelhecimento. E, se vale uma dica, o bem-estar psicológico parece ser mais importante que o físico.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Interação entre nervos e músculos

Surgiram novas evidências para apoiar o conceito emergente de que o sistema nervoso desempenha um papel importante no envelhecimento e em seus sintomas associados.

Pesquisadores compararam a força muscular que pessoas idosas eram capazes de apresentar voluntariamente, com a força que seus músculos forneciam quando eram estimulados eletricamente.

Os resultados indicam que a fraqueza física no envelhecimento pode ser devida, pelo menos em parte, a danos nas funções cerebral e nervosa, em vez de se dever unicamente a alterações nos próprios músculos.

"É uma evidência confirmatória de que o sistema nervoso é o principal culpado da fraqueza [associada ao envelhecimento]", disse o Dr. Brian Clark, da Universidade de Ohio (EUA), que defende um foco holístico na função muscular como parte de um sistema neuromusculoesquelético mais amplo.

Nervos causando fraqueza muscular

O experimento analisou um grupo de 66 adultos mais velhos (idade média de 70 anos), que foram categorizados como severamente fracos, modestamente fracos ou fortes, com base no desempenho medido em um teste físico padronizado.

A seguir, cada voluntário devia pressionar as pernas contra um peso, usando o máximo de força que conseguissem. Quando acreditavam ter atingido seu limite, o músculo que estavam usando - os extensores das pernas - foi então estimulado eletricamente. Quando isso fazia com que o músculo exercesse mais força, era um sinal de que a limitação de força que a pessoa experimentava vinha de outro lugar, e não do próprio músculo.

"Se a força aumenta quando a estimulação é aplicada, isso nos informa que há algum tipo de défice ou comprometimento da capacidade do sistema nervoso de ativar o músculo," disse Clark.

Quando a força adicional resultante da estimulação elétrica foi expressa como um incremento percentual, os dados mostraram que, quanto mais fracos eram os voluntários no teste, maior era o aumento da força de seus músculos. Os voluntários do grupo "severamente fraco" (que eram em média mais velhos) tiveram um aumento de 14,2% - o dobro do aumento de 7,1% mostrado pelos do grupo "forte".

Fisiológico ou psicológico?

Os pesquisadores ainda não investigaram a natureza do mecanismo do sistema nervoso que possa explicar o limite da força por vontade própria.

O Dr. Clark sugere que pode ser uma questão de função neuronal, ou pode ter um elemento psicológico/motivacional, ou ambos. Seja o que for, acrescentou ele, o resultado tem implicações no tratamento da perda de força muscular relacionada à idade, que pode reduzir seriamente a mobilidade dos idosos.

Quando a sabedoria científica convencional associou essa fraqueza principalmente à perda de massa muscular, muitas empresas farmacêuticas desenvolveram medicamentos que atuavam diretamente sobre os músculos - mas poucos se mostraram eficazes.

O novo estudo fornece mais evidências de que o sistema nervoso desempenha um papel significativo no problema, disse Clark.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Voluntary vs Electrically Stimulated Activation in Age-Related Muscle Weakness
Autores: Brian C. Clark, Todd M. Manini, Nathan P. Wages, Janet E. Simon, Leatha A. Clark
Publicação: JAMA Network Open
Vol.: 2(9):e1912052
DOI: 10.1001/jamanetworkopen.2019.12052

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