04/12/2019

Produtos inovadores tentam conter combater doenças transmitidas por pernilongos

Com informações da Agência Fapesp

Inovações contra pernilongos

O combate a doenças transmitidas por mosquitos - como dengue, febre amarela, zika e chikungunya - é um tema que mobiliza pesquisadores do meio acadêmico e também de empresas.

Esse esforço tem resultado em produtos inovadores para combater o Aedes aegypti.

Alguns desses projetos foram apresentados durante um encontro realizado em São Paulo, promovido pela FAPESP e pelo IRDC (International Development Research Centre), uma instituição mantida pelo governo do Canadá que apoia pesquisas em países em desenvolvimento - no Brasil e no México, no caso da luta contra as arboviroses.

Tablete contra pernilongos

Rodrigo Perez, presidente da empresa emergente BR3, apresentou o DengueTech, um biolarvicida à base de bactérias - inofensivas para humanos e animais - capazes de combater larvas de pernilongos.

O produto foi desenvolvido em parceria com a Fiocruz e já está disponível no mercado. É composto por uma forma modificada do BTI (sigla para Bacillus thuringiensis, sorotipo israelensis).

Os tabletes podem ser aplicados em pratinhos de plantas, caixas d'água e mesmo em água potável, locais que podem funcionar como criadouros do mosquito. Cada tablete tem ação de até 60 dias.

"O produto é altamente seletivo para o A. aegypti e, portanto, não afeta abelhas ou outros insetos. A ideia é que ele seja usado tanto em campanhas de saúde pública quanto em residências, pelas famílias, transformando pequenos criadouros em armadilhas contra o mosquito. Esse controle pode ser feito de forma sustentável e preventiva, ao longo de todo o ano, de modo a suprimir o vetor das doenças", disse Perez.

Inseticidas biodegradáveis

Também aplicado nos potenciais criadouros do mosquito, o AMS, tecnologia criada pelo Matlabs, de Sorocaba (SP), forma uma película sobre a água que impede o desenvolvimento do mosquito, sendo eficaz em todas as fases do ciclo de vida.

O líquido, à base de compostos naturais, é dispensado por um dosador, programado para liberar quantidades suficientes para proteger a água antes de o produto ser degradado.

"Desenvolvemos um inseticida que pode ser usado em sistemas de água potável. O produto não intoxica o inseto, mas causa a morte por uma ação majoritariamente física. Ainda está em fase de experimentos que visam provar a segurança de aplicação. Mas os ativos são biodegradáveis e não contaminam o ambiente," disse Gedeão Klarosk Perez, fundador da empresa.

Repelentes, tinta e tela

A Nanomed, de São Carlos (SP), desenvolveu um sistema de liberação controlada de óleo essencial para ser usado em repelentes de mosquito. O produto aguarda autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser comercializado.

"É um ativo completamente novo para esse tipo de uso. Por meio de nanotecnologia, ele é liberado aos poucos na pele e protege por mais tempo", disse Amanda Luizetto dos Santos, sócia-fundadora da empresa.

O encapsulamento de outro óleo essencial, de citronela, é objeto de estudo conduzido por Vânia Leite e Silva, professora do Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas da Universidade Federal de São Paulo (ICAQF-Unifesp), em Diadema.

Já a empresa Chemyunion realiza simulações computacionais para chegar a moléculas com potencial para servirem como princípio ativo de novos repelentes. Após 100 mil compostos candidatos, os pesquisadores chegaram a cinco que deverão ser testados em breve.

Tinta com inseticida

Os pesquisadores mexicanos apoiados pelo IDRC apresentaram uma tinta que libera inseticida encapsulado por meio de nanotecnologia, protegendo residências e escolas públicas por pelo menos um ano e meio.

O projeto foi apresentado por Jorge Méndez, pesquisador do Hospital Infantil do México, e Mauro Corral, da empresa Codequim, que estão analisando a eficácia e a segurança do produto para comercialização no México.

Outro projeto apoiado pelo IDRC é uma tela especial para portas e janelas que, além de impedir a entrada de insetos nas residências, contém um inseticida em sua composição que mata os mosquitos, aumentando ainda mais sua eficiência.

Mosquitos transgênicos

A pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP) Margareth Capurro apresentou no evento estudos voltados ao desenvolvimento de mosquitos transgênicos e defendeu a necessidade de combinar diferentes estratégias para o combate às arboviroses.

"É preciso um controle integrado. Não será apenas uma abordagem que vai dar conta das doenças. No entanto, a erradicação [dos mosquitos] é um ponto central do controle," disse.

Segundo a pesquisadora, além da erradicação são necessárias medidas de educação da população, desenvolvimento de vacinas, eliminação de potenciais criadouros, como pneus, garrafas e depósitos de lixo, e uso de larvicidas e inseticidas.


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