
Pode comer mais, mais escolha bem
Pessoas que decidem banir os alimentos ultraprocessados da sua dieta não apenas passam a comer de forma diferente - elas também passam a comer de forma mais inteligente.
Jeffrey Brunstrom e colegas da Universidade de Bristol (Inglaterra) descobriram que, ao evitar alimentos ultraprocessados, as pessoas naturalmente ocupam o espaço nos seus pratos com frutas e verduras, consumindo cerca de 50% a mais de comida em peso, mas ingerindo centenas de calorias a menos por dia.
Isso acontece porque os alimentos integrais ativam uma espécie de "inteligência nutricional" inata, direcionando as pessoas para opções ricas em nutrientes e com menos calorias.
Em vez de optarem por alimentos integrais com maior teor calórico, como arroz, carne e manteiga, as pessoas naturalmente tendem a consumir quantidades muito maiores de frutas e vegetais. Essa mudança por si só pode contribuir para a perda de peso sem a necessidade de restrição calórica deliberada. Os voluntários chegaram a cortar 330 calorias por dias, mesmo com o aumento no peso das porções.
"É empolgante ver como, quando as pessoas têm acesso a opções não processadas, elas intuitivamente escolhem alimentos que equilibram prazer, nutrição e sensação de saciedade, ao mesmo tempo que reduzem a ingestão total de energia. Nossas escolhas alimentares não são aleatórias - na verdade, parece que tomamos decisões muito mais inteligentes do que se supunha anteriormente quando os alimentos são apresentados em seu estado natural," disse Brunstrom.

Inteligência nutricional
Esta pesquisa traz novas perspectivas sobre como as pessoas tomam decisões alimentares e o quão produtivas podem ser essas decisões para a sua saúde.
Os resultados dão suporte à ideia de que os seres humanos podem possuir uma "inteligência nutricional" inata que ajuda a orientar uma alimentação equilibrada. Esse instinto parece funcionar melhor quando os alimentos são consumidos em sua forma natural e pode ser afetado pelos ambientes modernos de refeições rápidas.
Os pesquisadores acreditam que esse comportamento reflita um processo que chamam de "desvantagem de micronutrientes": Em termos simples, as pessoas parecem priorizar alimentos ricos em vitaminas e minerais, como frutas e vegetais, mesmo que isso signifique consumir menos opções com alta densidade energética.
Outra mensagem crucial é que comer em excesso pode não ser o principal problema quando se lida com a obesidade e demais condições metabólicas.
"Comer demais não é necessariamente o problema central. De fato, nossa pesquisa demonstrou claramente que os consumidores que seguem uma dieta baseada em alimentos integrais comem muito mais do que aqueles que seguem uma dieta baseada em alimentos processados. Mas a composição nutricional dos alimentos influencia as escolhas, e parece que os alimentos ultraprocessados estão levando as pessoas a optarem por opções com maior teor calórico, o que, mesmo em quantidades muito menores, provavelmente resultará em ingestão excessiva de energia e, consequentemente, alimentará a obesidade," concluiu Brunstrom.
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