02/04/2020

Mudando o modo como os médicos falam sobre a obesidade

Redação do Diário da Saúde
Mudando o modo como os médicos falam sobre a obesidade
Sabe-se, por exemplo, que as adolescentes obesas acreditam que ser magro é ser feliz e que as dificuldades familiares podem causar obesidade no homem.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Preconceito contra obesidade

Os serviços nacionais de saúde precisam se esforçar mais para lidar com o estigma e a discriminação enfrentados pelas pessoas com obesidade, defende o Dr. Stuart Flint, da Universidade de Leeds (Reino Unido).

Embora o preconceito contra a obesidade seja um problema arraigado na sociedade, atitudes negativas em relação ao ganho de peso são difundidas também no sistema de saúde e podem afetar a maneira como os pacientes são tratados, segundo o médico.

"Por exemplo, o estigma e a discriminação de peso são comuns nos estabelecimentos de saúde e afetam a qualidade dos cuidados que os pacientes recebem," acentua ele.

De fato, um grupo parlamentar no Reino Unido, onde o estudo foi realizado, já havia relatado que apenas uma em cada quatro pessoas com obesidade disse ter sido tratada com dignidade e respeito pelos profissionais de saúde quando procuraram aconselhamento ou tratamento para lidar com seu peso.

Como falar sobre obesidade

Para lidar com o problema, o Dr. Flint listou coisas que devem ser feitas e coisas que não devem ser feitas pelos profissionais de saúde, com ênfase em evitar uma linguagem inadequada quando discutem a obesidade ou o sobrepeso com os pacientes.

Entre as sugestões estão:

  • Use descrições objetivas, como "peso" ou "excesso de peso".
  • Coloque as pessoas em primeiro lugar: Não use "pessoas obesas", mas "pessoas com obesidade".
  • Seja preciso na descrição das causas complexas do ganho de peso.
  • Não insista em que haja um grupo de pessoas que não deseja controlar seu peso.

"O estigma do peso funciona como uma barreira para as pessoas com obesidade que procuram ajuda e estão em tratamento. Reduzir a obesidade não significa necessariamente comer menos e se movimentar mais. Essas diretrizes ajudarão os médicos a abrir caminho para mudar a maneira como falamos sobre obesidade, ajudar a promover uma compreensão mais ampla das complexidades da obesidade e nos ajudar a deixar de lado os estereótipos prejudiciais," disse o pesquisador.

Causas da obesidade

A ignorância sobre as causas do ganho de peso faz parte do problema, diz o Dr. Flint, destacando que muitas pessoas mantêm estereótipos nos quais acreditam que os indivíduos são responsáveis pelo seu próprio ganho de peso porque seriam preguiçosos ou gulosos.

"Atribuições de responsabilidade pessoal podem levar a preconceitos... com o status de saúde de uma pessoa percebido como estando sob o controle do indivíduo, o que leva a atribuição de falhas e culpas," escreveu ele.

No entanto, pesquisas mostram que a obesidade é "...uma condição de saúde complexa e multifacetada que pode ser causada, por exemplo, por fatores genéticos, epigenéticos, biológicos, ambientais e sociais".

Checagem com artigo científico:

Artigo: The NHS long-term plan: a comparison of the narrative used for cancer and obesity
Autores: Stuart W. Flint
Publicação: The Lancet Diabetes and Endocrinology
DOI: 10.1016/S2213-8587(20)30072-3
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