22/04/2026

Ficar ofegante poucos minutos por dia reduz risco de oito doenças

Redação do Diário da Saúde
Ficar ofegante poucos minutos por dia reduz risco de oito doenças
Não é complicado e nem mesmo precisa ir à academia.
[Imagem: Jiehua Wei et al. - 10.1093/eurheartj/ehag168]

Intensidade é o que importa

Pessoas que praticam apenas alguns minutos de atividade física vigorosa diariamente têm menos probabilidade de desenvolver oito doenças graves, incluindo artrite, doenças cardíacas e demência.

E não é complicado e nem precisa ir à academia: Subir escadas rapidamente, caminhar com pressa entre compromissos ou mesmo brincar com as crianças de forma ativa geram pequenas explosões de esforço que deixam o indivíduo ofegante. É o que basta.

Mesmo que essas explosões somem apenas 15 a 20 minutos por semana, elas estão associadas a uma queda substancial no risco de desenvolver oito doenças graves.

Esta é a conclusão de Jiehua Wei e colegas de várias universidades chinesas, que monitoraram cerca de 96 mil pessoas usando acelerômetros, pequenos aparelhos portáteis para medir com precisão movimentos muitas vezes esquecidos pelos participantes.

Evita oito doenças

A recomendação tradicional de atividade física costuma focar no tempo total gasto por semana, mas indicações recentes vêm mostrando que a intensidade do exercício pode trazer benefícios adicionais por minuto, mais do que uma extensão maior de exercícios mais leves.

O que faltava era esclarecer se, para dois indivíduos com o mesmo volume total de atividade, aquele que se exercita de forma mais vigorosa obtém maior proteção contra doenças - e se, para quem tem tempo limitado, valeria a pena priorizar a intensidade em vez da duração.

Para responder a essas perguntas, os cientistas compararam os níveis de atividade total e a proporção de atividade vigorosa (aquela que faz a pessoa ficar sem fôlego) com a incidência de oito condições de saúde ao longo de sete anos. Foram avaliadas as seguintes condições: Eventos cardiovasculares adversos maiores, fibrilação atrial, diabetes tipo 2, doenças inflamatórias imunomediadas, doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, doenças respiratórias crônicas, doença renal crônica e demência, bem como mortalidade por todas as causas.

Os resultados mostraram que indivíduos com a maior proporção de atividade intensa tiveram 63% menos risco de desenvolver demência, 60% menos risco de diabetes tipo 2 e 46% menos risco de morrer em comparação com aqueles que não faziam nenhuma atividade vigorosa. Esses benefícios permaneceram mesmo quando o tempo total dedicado a esse esforço era modesto.

Variações e riscos

Contudo, a relevância da intensidade do exercício varia conforme a doença. Para condições inflamatórias como artrite e psoríase, a intensidade foi praticamente tudo o que importou para reduzir o risco. Já para diabetes e doenças hepáticas crônicas, tanto o volume total quanto a intensidade da atividade tiveram papel relevante.

O mecanismo biológico por trás desses efeitos inclui respostas específicas do corpo durante o esforço intenso: O coração bombeia com mais eficiência, os vasos sanguíneos se tornam mais flexíveis, a capacidade de usar oxigênio melhora e a inflamação sistêmica diminui, tudo ajudando a explicar a forte associação com doenças inflamatórias. Além disso, a atividade vigorosa estimula substâncias químicas no cérebro que ajudam a manter as células nervosas saudáveis, contribuindo para a redução do risco de demência.

Os pesquisadores destacam que não é necessário ir à academia para obter esses benefícios: Basta incorporar pequenos momentos de esforço que o deixem ligeiramente ofegante ao longo do dia. Por outro lado, a atividade vigorosa pode não ser segura para todos, especialmente idosos ou pessoas com certas condições médicas - para esses grupos, qualquer aumento no movimento já é benéfico, e a atividade deve ser adaptada individualmente.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Volume vs intensity of physical activity and risk of cardiovascular and non-cardiovascular chronic diseases
Autores: Jiehua Wei, Minxue Shen, Shenxin Li, Yi Xiao, Dan Luo, Gerson Ferrari, Dong Hoon Lee, Leandro F. M. Rezende, Jason M. R. Gill, Matthew N. Ahmadi, Emmanuel Stamatakis, Xiang Chen
Publicação: European Heart Journal
DOI: 10.1093/eurheartj/ehag168
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