26/03/2019

Biochip poderá detectar dengue logo após o contágio

Redação do Diário da Saúde
Biochip poderá detectar dengue logo após o contágio
O Dr. Paulo Rocha está desenvolvendo uma ferramenta de sensoriamento de baixo custo para a detecção precoce do vírus da dengue, usando um chip que contém sensores elétricos para investigar o comportamento das células humanas infectadas pelo vírus.
[Imagem: University of Bath]

Exame de dengue na hora

Pesquisadores da Universidade de Bath (Reino Unido) estão desenvolvendo uma nova ferramenta para detectar a presença da dengue desde o início, logo após o contágio, ajudando a evitar que as pessoas sofram complicações potencialmente fatais.

"Se pudermos detectar a dengue mais cedo, poderemos tratar com eficácia os sintomas de uma pessoa e impedir que o vírus se transforme em uma infecção mais séria," disse o Dr. Paulo Rocha, líder da pesquisa.

O trabalho resultou na criação de um pequeno biochip contendo sensores elétricos que analisam o comportamento de células humanas infectadas com o vírus.

Quando alguém é infectado pelo vírus da dengue, ele produz proteínas, particularmente a "proteína não estrutural 1" (NS1), que é secretada pelas células infectadas. Assim, analisar a presença de NS1 na corrente sanguínea de um paciente através de um simples exame de sangue é o caminho natural para diagnosticar a doença.

No entanto, muitas pessoas infectadas com dengue podem não ser diagnosticadas porque a concentração de NS1 é baixa demais nos primeiros dias após o contágio. Isso impede o diagnóstico correto e a intervenção precoce para neutralizar e reduzir os efeitos do vírus.

Comportamento elétrico das células

Usando seu biochip de três centímetros quadrados, a equipe do Dr. Rocha mostrou que é possível detectar concentrações mínimas de NS1 observando o comportamento elétrico das células humanas.

Uma melhor compreensão do comportamento elétrico dessas células, acreditam os pesquisadores, ajudará a criar uma maneira mais precisa e sensível de detectar a presença de infecções por vírus.

O trabalho está nos estágios de demonstração, mas a equipe espera que sua plataforma leve ao desenvolvimento de um sistema de baixo custo para a detecção da dengue que dê o resultado na hora.

Se os resultados se confirmarem, a tecnologia também poderá ser usada para diagnosticar doenças causadas por outros vírus da família Flaviviridae, como zika e febre amarela.


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