25/03/2019

Cuidadores dizem o que esperam dos robôs assistentes

Redação do Diário da Saúde
Cuidadores dizem o que esperam dos robôs assistentes
Os pesquisadores passaram seis meses com cuidadores e profissionais de saúde projetando robôs que possam atender a necessidades reais dos cuidadores e dos pacientes com demência.
[Imagem: Healthcare Robotics Lab/University of California San Diego]

Robôs para cuidar de pessoas com demência

Construir robôs que possam ajudar pessoas que perdem a autonomia - com demência, por exemplo - tem sido um objetivo de longa data para os engenheiros.

O problema é que muitos projetos apresentados aos cuidadores e profissionais de saúde simplesmente não atendem as necessidades: os engenheiros se concentram na parte técnica, mas se esquecem de perguntar aos interessados o que seria mais importante que o robô fizesse.

Foi exatamente isso o que decidiu fazer uma equipe da Universidade da Califórnia de San Diego (EUA).

Mais do que entrevistar cuidadores, membros da família, assistentes sociais e profissionais de saúde sobre quais características e funções esses robôs deveriam ter, eles passaram seis meses projetando robôs em conjunto com esses interessados, que cuidam diariamente de pessoas com demência.

Robôs assistentes úteis

O trabalho mostrou que os cuidadores desejam que os robôs cumpram dois papéis principais: (1) Dar suporte a momentos positivos compartilhados pelos cuidadores e seus entes queridos e (2) diminuir o estresse emocional dos cuidadores assumindo tarefas difíceis, como responder a perguntas repetidas e restringir alimentos não saudáveis.

"Os cuidadores conceberam robôs não apenas gerenciando aspectos difíceis dos cuidados, mas também dando apoio a atividades alegres e divertidas," contou Laurel Riek, professora de ciência da computação envolvida no trabalho.

Cuidadores dizem o que esperam dos robôs assistentes
Os robôs-cirurgiões já estão em largo uso nos hospitais, mas robôs assistentes para auxiliar pacientes em casa ainda são raros.
[Imagem: Bristol Robotics Laboratory]

Isso contrasta com a maior parte da tecnologia projetada até agora para apoiar os profissionais de saúde, voltados para educação ou fazer tarefas específicas: Os cuidadores não querem robôs que os eximam totalmente de suas tarefas, mas robôs que lhes deem um descanso ou os libere de aspectos mais extenuantes ou mais irritantes.

"É imperativo que os pesquisadores adotem uma abordagem focada na saúde da comunidade para entender as perspectivas das partes interessadas antes de construir a tecnologia," disse Riek. "Especialmente em robótica da área de saúde, não se deve chegar com uma tecnologia de martelo [quando tudo parecem ser pregos]."

Os pesquisadores agora estão usando os desenhos iniciais de baixa tecnologia, projetados em conjunto com os cuidadores, e começando a construir protótipos de alta tecnologia que planejam começar a testar em casas no próximo ano.

O que deve fazer um robô assistente de saúde

Com base nos resultados do projeto comunitário de seis meses, os pesquisadores identificaram uma série de características e diretrizes de projeto para os robôs de apoio a cuidadores de demência e pessoas com demência:

  • 1.

    Os robôs devem ajudar a redirecionar as conversas quando o questionamento repetitivo se tornar cansativo.

  • 2.

    Os robôs devem ser integrados aos objetos do cotidiano com os quais as pessoas com demência já estão familiarizadas, ou extrair recursos desses objetos. Por exemplo, uma cuidadora queria que o marido recebesse mensagens pela TV, que ele passa muito tempo assistindo.

  • 3.

    Os robôs devem ser capazes de se adaptar a novas situações e ao comportamento da pessoa com demência. Isto é particularmente importante porque a demência é uma doença progressiva e cada fase traz novos desafios para os cuidadores. Além disso, os padrões de progressão variam de pessoa para pessoa e, como resultado, são quase impossíveis de prever.

  • 4.

    Os robôs devem poder aprender com os usuários e permitir configurar e personalizar suas interações e respostas.

  • 5.

    Os robôs devem ter componentes semelhantes aos humanos. Isso não quer dizer que eles devam parecer humanos. Em vez disso, as máquinas poderiam, por exemplo, usar uma voz humana real ou ter um rosto.

  • 6.

    Os robôs devem interagir com os seres humanos por meio de ativação por voz - muito parecido com os assistentes eletrônicos já vendidos no comércio. Mais especificamente, os cuidadores querem que os robôs usem vozes com as quais seus entes queridos estão familiarizados - cuidadores ou médicos. Os cuidadores também querem que os robôs sejam capazes de reconhecimento facial.


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