31/03/2026

Pesquisa desmente diferença na incidência de autismo entre meninas e meninos

Redação do Diário da Saúde
Pesquisa desmente diferenças na incidência de autismo entre meninas e meninos
Parece haver quatro tipos específicos de autismo.
[Imagem: Kouzou Sakai/Simons Foundation]

Autismo por gênero

O transtorno do espectro autista tem sido visto há muito tempo como uma condição que afeta predominantemente indivíduos do sexo masculino, mas um estudo feito agora na Suécia mostra que, na verdade, o autismo pode ocorrer em taxas comparáveis entre homens e mulheres.

Os resultados mostram um claro efeito de convergência entre as mulheres durante a adolescência, o que, segundo os pesquisadores, destaca a necessidade de investigar por que as mulheres recebem diagnósticos mais tarde do que os homens.

A prevalência do transtorno do espectro autista (TEA) aumentou nas últimas três décadas, com uma alta proporção de diagnósticos entre homens e mulheres, em torno de 4:1.

A teoria vigente no meio científico é que esse aumento na prevalência esteja ligado a fatores como critérios diagnósticos mais amplos e mudanças sociais (por exemplo, idade dos pais), enquanto a alta proporção entre homens e mulheres tem sido atribuída a melhores habilidades sociais e de comunicação entre as meninas, tornando o autismo mais difícil de identificar.

No entanto, até o momento, nenhum estudo de grande porte havia examinado essas tendências ao longo da vida, o que significa que todas essas considerações ainda eram meras hipóteses, sem qualquer validação experimental ou observacional.

Pesquisa desmente diferenças na incidência de autismo entre meninas e meninos
Nova teoria de três fatores redefine as causas do autismo.
[Imagem: UC San Diego Health Sciences]

Proporção 1:1 entre homens e mulheres

Para tentar esclarecer a questão, Caroline Fyfe e colegas do Instituto Karolinska utilizaram registros nacionais da Suécia para analisar as taxas de diagnóstico de autismo em 2,7 milhões de indivíduos nascidos entre 1985 e 2022, que foram acompanhados desde o nascimento até os 37 anos de idade.

Durante esse período de acompanhamento, de mais de 35 anos, o autismo foi diagnosticado em 78.522 (2,8%) indivíduos, com uma idade média de 14,3 anos.

As taxas de diagnóstico aumentaram a cada intervalo de cinco anos ao longo da infância, atingindo um pico de 645,5 por 100.000 pessoas-ano para indivíduos do sexo masculino entre 10 e 14 anos e 602,6 para indivíduos do sexo feminino entre 15 e 19 anos. É uma diferença largamente inferior à considerada até agora, além de haver um claro deslocamento na idade do diagnóstico.

Embora os indivíduos do sexo masculino tivessem maior probabilidade de receber um diagnóstico de autismo na infância, as mulheres alcançaram os mesmos níveis durante a adolescência, resultando em uma proporção entre homens e mulheres próxima de 1:1 aos 20 anos de idade.

Pesquisa desmente diferenças na incidência de autismo entre meninas e meninos
O grande destaque recente nesta área foi a cura dos sintomas do autismo em camundongos.
[Imagem: Diário da Saúde/Gerado por IA]

Ressalvas e mais pesquisas

Este é um estudo observacional, e os pesquisadores reconhecem que não consideraram outras condições associadas ao autismo, como TDAH e deficiência intelectual. Também não foi possível controlar condições genéticas e ambientais compartilhadas, como a saúde mental dos pais.

No entanto, a equipe afirma que o tamanho e a duração do estudo lhes permitiram interligar dados de toda uma população e separar os efeitos de três escalas temporais diferentes: Idade, período do calendário e coorte de nascimento.

"Estes resultados indicam que a proporção entre homens e mulheres com autismo diminuiu ao longo do tempo e com o aumento da idade do diagnóstico. Esta proporção entre homens e mulheres pode, portanto, ser substancialmente menor do que se pensava anteriormente, ao ponto de, na Suécia, já não ser possível distingui-la na idade adulta. Estas observações realçam a necessidade de investigar por que as mulheres recebem diagnósticos mais tarde do que os homens," concluiu o estudo.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Time trends in the male to female ratio for autism incidence: population based, prospectively collected, birth cohort study
Autores: Caroline Fyfe, Henric Winell, Joseph Dougherty, David H. Gutmann, Donald O. Schnuck, Alexander Kolevzon, Natasha Marrus, Kristina Tedroff, Tychele N. Turner, Lauren A. Weiss, Benjamin H. K. Yip, Weiyao Yin, Sven Sandin
Publicação: The BMJ
DOI: 10.1136/bmj-2025-084164
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