É hora de parar de dizer às pessoas com condições de baixo risco que elas têm câncer

É hora de parar de dizer às pessoas com condições de baixo risco que elas têm
A vigilância ativa envolve observar atentamente a condição do paciente, mas evitando o tratamento.
[Imagem: CC0 Creative Commons]

Repensar o uso da palavra "câncer"

Já há alguns anos os especialistas vêm propondo que se repense o uso da palavra câncer.

A proposta é que os médicos parem de dizer às pessoas com condições de baixo risco que elas tenham "câncer".

Agora, uma equipe internacional revisou todas as evidências mais recentes sobre as neoplasias de baixo risco e, com base nessas constatações documentadas cientificamente, estão pedindo que a palavra câncer seja retirada de algumas conversas médico-paciente em uma tentativa de reduzir a ansiedade do paciente e os danos causados pelos tratamentos excessivos, que geralmente acabam fazendo mais mal do que bem.

O apelo se baseia em evidências crescentes de que os pacientes que são informados de que têm câncer para condições de baixo risco escolhem com mais frequência a cirurgia e os tratamentos mais radicais do que aqueles cuja condição é descrita com termos como "lesões" ou "células anormais".

Por exemplo, no câncer de próstata localizado, para o qual a vigilância ativa tem sido uma opção de gerenciamento recomendada há muitos anos, estudos mostram que, internacionalmente, a maioria dos homens ainda prefere ou adere à recomendação do médico para realizar uma prostatectomia radical ou receber radioterapia.

"Um bom exemplo disso é o câncer de tireoide papilar de baixo risco," exemplifica o Dr. Brooke Nickel, da Universidade de Sydney (Austrália), que liderou a análise. "Estudos mostram que a progressão para doença clínica e crescimento tumoral em pacientes com pequenos cânceres de tireoide papilar que escolhem a cirurgia é comparável àqueles que monitoram sua condição".

A equipe afirma que os tipos de câncer que podem ser considerados para renomeação incluem câncer papilar de tireoide intratireoidiano (<1cm), carcinoma ductal in situ de baixo e médio grau (CDIS), também conhecido como câncer de mama no estágio 0, e câncer de próstata localizado (Gleason 6).

"É hora de parar de dizer às pessoas com uma condição de risco muito baixo que elas têm 'câncer' se é muito improvável que elas serão prejudicadas por isso," acrescentou o Dr. Ray Moynihan, coautor da análise.

Vigilância ativa

A vigilância ativa envolve observar atentamente a condição do paciente, mas evitando o tratamento, a menos que haja mudanças nos resultados dos testes que mostrem que a condição está piorando.

"Enquanto a vigilância ativa é cada vez mais reconhecida como uma opção de tratamento seguro para alguns pacientes com câncer, ainda há uma forte crença de que tratamentos agressivos são sempre necessários," disse a professora Kirsten McCaffery.

A equipe destaca que movimentos para remover o rótulo de "câncer" de várias condições não são uma novidade.

"Um dos primeiros exemplos disso foi quando a Organização Mundial da Saúde e a Sociedade Internacional de Patologistas Urológicos removeram o rótulo de câncer de tumores de bexiga. Em 1998, eles concordaram que uma condição conhecida por raramente progredir para câncer invasivo não deveria ser chamada de 'câncer'," afirmou o Dr. Nickel.

Em 2016, foi a vez de um tipo não invasivo de "câncer da tireoide" deixar de ser considerado câncer.


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