05/05/2026

A natureza tem um ritmo universal para comunicação

Redação do Diário da Saúde
A natureza parece ter um ritmo universal para comunicação
Parece haver também uma linguagem universal dos gestos na comunicação não-verbal.
[Imagem: Seyda Ozçaliskan et al. - 10.1017/langcog.2023.34]

Frequência da comunicação

A comunicação no reino animal pode se manifestar de maneiras muito diferentes, de chamados estridentes e cantos roucos a danças elaboradas e até piscadas de luz corporais.

O surpreendente é que há um elemento em comum nessa multiplicidade de modos de comunicação. Uma grande parte dos sinais emitidos pelos animais compartilham uma característica fundamental: Eles se repetem em um ritmo quase idêntico.

Guy Amichay e colegas da Universidade Northwestern (EUA) descobriram que os sinais de comunicação em uma ampla variedade de espécies tendem a se repetir a cerca de 2 hertz, aproximadamente duas batidas por segundo.

Compreender esse ritmo potencialmente universal pode ajudar os cientistas a interpretar melhor a sinalização animal e o comportamento social em diferentes espécies. As descobertas também indicam que a percepção humana de ritmos, incluindo batidas na música popular e a cadência da fala, pode surgir dos mesmos princípios neurais de temporização encontrados em toda a natureza.

"Há um ponto um tanto sutil aqui: Suspeitamos que obter o sinal 'portador' na faixa de tempo correta seja fundamental para uma comunicação eficiente," comentou o professor Daniel Abrams. "Pode não ser que o tempo em si transmita alguma informação, mas serve como uma base para chamar a atenção, com o conteúdo real sendo enviado por cima, como notas musicais acompanhando a batida de uma música."

Ritmo da comunicação

Os pesquisadores propõem que esse ritmo de duas batidas por segundo pode refletir uma característica biológica compartilhada. O cérebro dos animais, incluindo o dos humanos, pode ser naturalmente sintonizado para processar sinais que chegam nesse ritmo. Em outras palavras, duas batidas por segundo podem ser um "ponto ideal" rítmico que permite ao cérebro detectar sinais com mais facilidade e processar a comunicação com mais eficiência.

"Parece haver uma abundância de organismos que sinalizam ou se comunicam em uma faixa relativamente estreita de ritmos," disse Amichay. "Todos parecem se manter em torno de 2 ou talvez 3 hertz. Em princípio, eles poderiam se comunicar em outros ritmos. Fisicamente, não há nada que os impeça de se comunicarem a, digamos, 10 hertz, mas eles não o fazem. Para explicar esse fenômeno, propomos que esse ritmo de 2 hertz possa ser mais fácil de entender porque ressoa com o cérebro humano. Ressoa com o cérebro humano, o cérebro do vagalume, o cérebro do leão-marinho, o cérebro do sapo e assim por diante."

A equipe espera que seu trabalho inspire outros pesquisadores a examinar uma gama mais ampla de espécies e a medir diretamente como os cérebros respondem a diferentes ritmos de comunicação. Esses esforços poderão revelar se esse ritmo potencialmente universal é uma característica fundamental dos sistemas neurais e possivelmente levar a novas descobertas sobre como ele influencia o comportamento em diferentes espécies.

Checagem com artigo científico:

Artigo: A widespread animal communication tempo may resonate with the receivers brain
Autores: Guy Amichay, Vijay Balasubramanian, Daniel M. Abrams
Publicação: PLoS Biology
DOI: 10.1371/journal.pbio.3003735
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