Alta exposição a radiação de celulares associada com câncer em cobaias

Alta exposição a radiação de celulares associada com câncer em cobaias
Outros especialistas garantem que as evidências de que radiações eletromagnéticas afetam a saúde são incontestáveis.
[Imagem: CC0 Creative Commons]

Radiação eletromagnética e câncer

O Programa Nacional de Toxicologia (NTP: National Toxicology Program) dos Estados Unidos concluiu que há evidências claras de que animais de laboratório expostos a altos níveis de radiação eletromagnética na faixa de radiofrequência, como as usadas pelos telefones celulares 2G e 3G, desenvolvem tumores cardíacos cancerígenos.

Também foram encontradas algumas evidências de tumores no cérebro e nas glândulas suprarrenais de ratos machos expostos à radiofrequência. Para ratas e camundongos machos e fêmeas os indícios deixam dúvidas sobre se os cânceres observados estariam de fato associados à exposição à radiofrequência.

O relatório final representa o consenso do NTP e de um painel de especialistas científicos externos que revisaram os estudos.

"Acreditamos que a ligação entre a radiação de radiofrequência e os tumores em ratos machos é real, e os especialistas externos concordaram," disse o pesquisador John Bucher, do NTP.

Uso real do celular

Embora o estudo aponte preocupações para pessoas que vivam nas proximidades de antenas repetidoras de telefonia celular, é necessário ter cautela ao comparar os experimentos realizados pelo NTP e a exposição equivalente ao uso normal de um telefone celular.

O nível de exposição mais baixo utilizado nos estudos foi igual à máxima exposição tecidual local atualmente permitida para usuários de telefones celulares. Esse nível de energia raramente ocorre com o uso típico de um telefone celular - o maior nível de exposição nos estudos foi quatro vezes maior do que o nível máximo de potência permitido.

"As exposições usadas nos estudos não podem ser comparadas diretamente à exposição que os humanos experimentam quando usam um telefone celular," reconheceu Bucher. "Em nossos estudos, ratos e camundongos receberam radiação de radiofrequência em todo o corpo. Por outro lado, as pessoas estão expostas principalmente em tecidos locais específicos próximos ao telefone. Além disso, os níveis de exposição e duração em nossos estudos foram maiores do que o que as pessoas experimentam."

Por outro lado, outros experimentos já mostraram efeitos localizados, como a radiação de celulares afetando a memória de adolescentes e carregar o celular no bolso da calça reduzindo a fertilidade masculina.

Mas há razões pelas quais os pesquisadores do NTP escolheram essa abordagem menos diretamente comparável com os seres humanos.

"A maior força dos nossos estudos é que conseguimos controlar exatamente a quantidade de radiação de radiofrequência recebida pelos animais - algo que não é possível quando se estuda o uso de telefones celulares, que muitas vezes depende de questionários," contou o pesquisador Michael Wyde, toxicologista que chefiou os estudos.

Longevidade inesperada e 5G

Os pesquisadores também destacaram a descoberta inesperada de uma maior longevidade entre os ratos machos expostos à radiofrequência, mesmo levando em conta a eventual geração de tumores. "Isso pode ser explicado por uma diminuição observada em problemas renais crônicos, que são frequentemente a causa da morte em ratos mais velhos," disse Wyde.

Os experimentos também não investigaram os tipos de radiofrequência usados pelas redes Wi-Fi e 5G.

"O 5G é uma tecnologia emergente que ainda não foi definida. Pelo que entendemos atualmente, ela provavelmente difere dramaticamente do que estudamos," disse Wyde.


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