22/10/2019

Divertida Mente: Filme inspira nova forma de controlar as emoções

Redação do Diário da Saúde
Divertida Mente: Filme inspira nova forma de controlar as emoções
O filme "Divertida Mente" inspirou uma estratégia para aumentar o autocontrole, apesar dos sentimentos negativos.
[Imagem: Disney/Pixar/Divulgação]

Emoções como pessoas

O filme "Divertida Mente" inspirou cientistas a explorar como o pensamento antropomórfico - imaginar as emoções como se cada uma fosse uma pessoa - poderia influenciar a experiência das emoções e os comportamentos daí derivados.

Fangyuan Chen e seus colegas da Universidade do Texas em Austin (EUA), suspeitavam que esse exercício mental permitiria que as pessoas que antropomorfizassem a tristeza se separassem psicologicamente dessa emoção negativa e se sentissem menos tristes.

Os pesquisadores testaram sua hipótese pedindo a voluntários que escrevessem sobre um momento em que se sentiam muito tristes, como após a perda de alguém próximo. Em seguida, um grupo escreveu sobre quem seria a tristeza se ela ganhasse vida como pessoa, enquanto um segundo grupo escreveu sobre como seria a tristeza em termos de impactos emocionais e afetivos. Finalmente, ambos os grupos classificaram seus níveis de tristeza em uma escala de um a sete.

Os resultados confirmaram que os participantes relatavam níveis mais baixos de tristeza depois de escreverem sobre a emoção como uma pessoa.

Personalidade da tristeza e Felicidade como pessoa

Os voluntários que tinham tristeza antropomorfizada descreveram a emoção de maneiras como "Uma garotinha andando devagar com a cabeça baixa", "Uma pessoa pálida sem sorriso" e "Alguém com cabelos grisalhos e olhos fundos".

Ao fazer isso, "as pessoas começam a pensar em uma emoção como uma pessoa separada de si mesmas, o que as faz se sentir mais desapegadas da tristeza", disse Fangyuan.

Os pesquisadores também testaram se os resultados seriam os mesmos quando os participantes antropomorfizassem a emoção da felicidade e, da mesma forma, os níveis de felicidade foram mais baixos para o grupo que descreveu a emoção como pessoa.

"Provavelmente não é prudente aplicar essa estratégia a emoções positivas, porque não queremos minimizar esses bons sentimentos", disse a professora Li Yang, coordenadora da pesquisa.

Tristeza e compras

Em seguida, os pesquisadores exploraram se a diminuição da tristeza levaria a um melhor autocontrole ao tomar decisões sobre o que comprar. Como no primeiro experimento, os participantes escreveram sobre experiências tristes; então um grupo antropomorfizou a tristeza escrevendo sobre ela como pessoa. Em seguida, os pesquisadores pediram às pessoas de ambos os grupos que selecionassem um prato para acompanhar uma entrada de almoço. Os participantes que tinham tristeza antropomorfizada mostraram-se mais propensos a escolher a opção mais saudável, o que exige mais autocontrole.

Eles então repetiram o experimento com uma opção de consumo diferente: Um computador otimizado para produtividade versus um computador otimizado para entretenimento. Desta vez, os participantes pensaram na tristeza como uma pessoa antes de encontrar um evento triste específico: jogar fora seu computador velho. Novamente, os participantes que antropomorfizaram a tristeza foram mais propensos a escolher a opção mais prática do computador otimizado para produtividade.

"Nosso estudo sugere que antropomorfizar a tristeza pode ser uma nova maneira de regular essa emoção," disse Yang. "Ativar essa mentalidade é uma maneira de ajudar as pessoas a se sentirem melhor e resistirem às tentações que podem não beneficiá-las a longo prazo."

Checagem com artigo científico:

Artigo: When Sadness Comes Alive Will It Be Less Painful? The Effects of Anthropomorphic Thinking on Sadness Regulation and Consumption
Autores: Fangyuan Chen, Rocky Peng Chen, Li Yang
Publicação: Journal of Consumer Psychology
DOI: 10.1002/jcpy.1137

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