27/05/2019

Este exame não detecta Alzheimer, mas pode dizer se os remédios estão funcionando

Redação do Diário da Saúde

Neurofilamento de cadeia leve

Um exame simples de sangue consegue revelar se as células nervosas no cérebro estão sofrendo danos em ritmo acelerado, além do que seria normal.

O exame baseou-se na análise da proteína do neurofilamento leve (ou NFL: neurofilament light protein) em amostras de sangue de pacientes com doença de Alzheimer.

Os primeiros testes, divulgados na revista científica JAMA Neurology, mostraram que a concentração desse neurofilamento de cadeia leve no sangue pode indicar se uma droga está realmente afetando a perda de células nervosas.

Isto é crucial porque praticamente todos os medicamentos testados contra o Alzheimer até agora falharam - logo, qualquer ajuda nessa seleção de fármacos promissores ou não pode representar anos de economia em pesquisas e recursos.

É por isso que métodos muito sensíveis têm sido desenvolvidos nos últimos anos para medir a presença de certas substâncias no sangue para indicar danos no cérebro e doenças neurológicas - não apenas o Alzheimer, mas também Parkinson e esclerose múltipla (MS), por exemplo. A NFL (proteína do neurofilamento leve) é uma dessas substâncias.

"Métodos padrão para indicar dano às células nervosas envolvem a medição do nível de determinadas substâncias pelo paciente usando uma punção lombar ou o exame de ressonância magnética do cérebro. Esses métodos são complicados, demoram e são caros. Medir a NFL no sangue pode ser mais barato e também mais fácil para o paciente," explicou o Dr. Niklas Mattsson, da Universidade de Lund (Suécia).

Saber se o remédio funciona ou não

Quando as células nervosas do cérebro são danificadas ou morrem, a proteína NFL vaza para o líquido cefalorraquidiano e avança para o sangue. Já se sabia que os níveis de NFL são elevados entre pessoas com doenças neurodegenerativas, mas há uma falta de estudos de longo prazo.

Medições da concentração de NFL no sangue podem indicar se um medicamento está realmente afetando a perda de células nervosas, quando uma dose ideal do medicamento foi alcançada ou se outro medicamento deve ser experimentado.

"Em ensaios clínicos com fármacos, houve considerável incerteza sobre os efeitos das drogas. Há várias razões para isso. Por exemplo, alguns dos pacientes envolvidos provavelmente não tinham a doença de Alzheimer. Em outros casos, não ficou claro se a droga tinha sido introduzida muito tarde no curso da doença.

"Medir a concentração de NFL no sangue poderia facilitar as coisas para o desenvolvimento futuro de medicamentos, tanto por meio do acompanhamento dos efeitos da droga, quanto pela inclusão de indivíduos que apresentam marcadores de deterioração das células nervosas. Essa abordagem permitirá tirar conclusões mais confiáveis dos resultados," detalhou Dr. Mattsson.


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