Por que algumas pessoas têm sinais cerebrais do Alzheimer mas não têm demência?

Por que algumas pessoas têm sinais cerebrais do Alzheimer mas não têm demência?
As pesquisas envolvendo Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas também já apontaram o dedo da suspeita para a chamada microglia - mas parece que essas células são na verdade agentes de limpeza do cérebro.
[Imagem: Universidade de Southampton]

Sinais de Alzheimer sem os problemas do Alzheimer

Pessoas que sofrem de Alzheimer desenvolvem um acúmulo de duas proteínas que prejudicam a comunicação entre as células nervosas do cérebro - placas feitas de proteínas beta-amiloides e emaranhados neurofibrilares de proteínas tau.

Curiosamente, nem todas as pessoas com esses acúmulos de proteínas no cérebro apresentam o declínio cognitivo típico da doença - em outras palavras, essas pessoas não têm demência.

A questão que então se colocou aos cientistas foi: O que diferencia essas pessoas daquelas com as mesmas placas e emaranhados que desenvolvem a assinatura da demência?

"Em estudos anteriores, descobrimos que, enquanto as pessoas não dementes com neuropatologia de Alzheimer tinham placas amiloides e emaranhados neurofibrilares, assim como as pessoas dementes, as proteínas tóxicas amiloide beta e tau não se acumulavam nas sinapses, o ponto de comunicação entre as células nervosas," disse o Dr. Giulio Taglialatela, da Universidade do Texas (EUA).

Então, a próxima questão-chave foi: O que torna as sinapses desses indivíduos resilientes capazes de rejeitar a ligação disfuncional das beta-amiloides e tau?

Proteção sináptica

Analisando a composição proteica de sinapses isoladas de tecido cerebral congelado doado por pessoas que haviam participado de estudos sobre o envelhecimento cerebral, a equipe descobriu agora que as pessoas resistentes ao Alzheimer apresentam uma assinatura proteica sináptica única, assinatura esta que as diferencia dos pacientes com demência e dos indivíduos normais sem patologia de Alzheimer.

O Dr. Taglialatela afirma que esta formação única de proteína pode estar por trás da resistência sináptica à amiloide beta e à tau, permitindo assim que estas pessoas afortunadas permaneçam cognitivamente intactas, apesar de terem patologias do tipo Alzheimer.

"Nós ainda não entendemos completamente o mecanismo exato responsável por essa proteção," destaca Taglialatela. "Compreender esses processos biológicos de proteção poderá revelar novos alvos para o desenvolvimento de tratamentos eficazes contra Alzheimer."


Ver mais notícias sobre os temas:

Neurociências

Cérebro

Mente

Ver todos os temas >>   

A informação disponível neste site é estritamente jornalística, não substituindo o parecer médico profissional. Sempre consulte o seu médico sobre qualquer assunto relativo à sua saúde e aos seus tratamentos e medicamentos.
Copyright 2006-2018 www.diariodasaude.com.br. Todos os direitos reservados para os respectivos detentores das marcas. Reprodução proibida.