27/08/2018

Por que algumas pessoas têm sinais cerebrais do Alzheimer mas não têm demência?

Redação do Diário da Saúde
Por que algumas pessoas têm sinais cerebrais do Alzheimer mas não têm demência?
As pesquisas envolvendo Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas também já apontaram o dedo da suspeita para a chamada microglia - mas parece que essas células são na verdade agentes de limpeza do cérebro.
[Imagem: Universidade de Southampton]

Sinais de Alzheimer sem os problemas do Alzheimer

Pessoas que sofrem de Alzheimer desenvolvem um acúmulo de duas proteínas que prejudicam a comunicação entre as células nervosas do cérebro - placas feitas de proteínas beta-amiloides e emaranhados neurofibrilares de proteínas tau.

Curiosamente, nem todas as pessoas com esses acúmulos de proteínas no cérebro apresentam o declínio cognitivo típico da doença - em outras palavras, essas pessoas não têm demência.

A questão que então se colocou aos cientistas foi: O que diferencia essas pessoas daquelas com as mesmas placas e emaranhados que desenvolvem a assinatura da demência?

"Em estudos anteriores, descobrimos que, enquanto as pessoas não dementes com neuropatologia de Alzheimer tinham placas amiloides e emaranhados neurofibrilares, assim como as pessoas dementes, as proteínas tóxicas amiloide beta e tau não se acumulavam nas sinapses, o ponto de comunicação entre as células nervosas," disse o Dr. Giulio Taglialatela, da Universidade do Texas (EUA).

Então, a próxima questão-chave foi: O que torna as sinapses desses indivíduos resilientes capazes de rejeitar a ligação disfuncional das beta-amiloides e tau?

Proteção sináptica

Analisando a composição proteica de sinapses isoladas de tecido cerebral congelado doado por pessoas que haviam participado de estudos sobre o envelhecimento cerebral, a equipe descobriu agora que as pessoas resistentes ao Alzheimer apresentam uma assinatura proteica sináptica única, assinatura esta que as diferencia dos pacientes com demência e dos indivíduos normais sem patologia de Alzheimer.

O Dr. Taglialatela afirma que esta formação única de proteína pode estar por trás da resistência sináptica à amiloide beta e à tau, permitindo assim que estas pessoas afortunadas permaneçam cognitivamente intactas, apesar de terem patologias do tipo Alzheimer.

"Nós ainda não entendemos completamente o mecanismo exato responsável por essa proteção," destaca Taglialatela. "Compreender esses processos biológicos de proteção poderá revelar novos alvos para o desenvolvimento de tratamentos eficazes contra Alzheimer."


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