Drogas em testes contra Alzheimer podem piorar as coisas, dizem cientistas

Drogas em testes contra Alzheimer podem piorar as coisas, dizem cientistas
Esta imagem representa o papel das proteínas tau e da MAP6 na regulação das partes estáveis (verde) e dinâmicas (vermelha) dos microtúbulos de um neurônio. A depleção da tau nos neurônios levou a uma maior estabilidade dos microtúbulos.
[Imagem: Drexel University]

Tau e Alzheimer

Com a perda de sustentação da chamada hipótese beta-amiloide, a maioria dos esforços para combater o Alzheimer vinha se voltando para uma proteína chamada tau.

Mas parece que as primeiras abordagens usadas para debelar a tau podem piorar a situação, em vez de melhorá-la.

Embora a maioria dos cientistas e médicos acreditem que a proteína tau estabiliza os microtúbulos nos neurônios do cérebro, novas pesquisas sugerem exatamente o oposto: a tau aumenta o comprimento dos microtúbulos e os mantém dinâmicos.

Isto indica que as drogas estabilizadoras de microtúbulos, atualmente em ensaios clínicos, poderão não ser eficazes no tratamento da doença de Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas baseadas na tau.

"A teoria mais aceita sugere que pacientes com doenças neurodegenerativas estão perdendo microtúbulos porque eles estão se tornando menos estáveis. O que nosso estudo sugere é que, com a depleção da tau, os pacientes estão de fato perdendo as regiões dinâmicas dos microtúbulos. Então, ao tratar as doenças neurodegenerativas com medicamentos estabilizadores de microtúbulos, o potencial é para piorar as coisas, em vez de melhorar," disse o Dr. Peter Baas, na Universidade de Drexel (EUA).

Microtúbulos e tau

Os microtúbulos são polímeros tubulares que compõem a infraestrutura de uma célula e também funcionam como vias para transportar organelas por todo o citoplasma. Essas estruturas intracelulares têm uma região estável, assim como uma região que permanece dinâmica, ambas importantes para o seu papel na célula.

Tau é uma das principais proteínas da doença de Alzheimer. No cérebro doente, a tau vaza dos microtúbulos e forma emaranhados neurofibrilares, bloqueando o transporte de nutrientes para os neurônios e, eventualmente, matando-os.

Drogas que afetam a estabilidade dos microtúbulos estão sendo investigadas como potenciais terapias para a doença de Alzheimer, porque é quase universalmente aceito pela comunidade científica - o que é evidenciado pela documentação em centenas de trabalhos de pesquisa, sites e materiais instrucionais - que o papel da tau é estabilizar os microtúbulos nos neurônios do cérebro, especificamente em fibras nervosas chamadas axônios.

O que este novo trabalho diz é que essa teoria está errada. Agora será necessário esperar que outros grupos de pesquisa refaçam os experimentos e validem os novos resultados.


Ver mais notícias sobre os temas:

Neurociências

Cérebro

Desenvolvimento de Medicamentos

Ver todos os temas >>   

A informação disponível neste site é estritamente jornalística, não substituindo o parecer médico profissional. Sempre consulte o seu médico sobre qualquer assunto relativo à sua saúde e aos seus tratamentos e medicamentos.
Copyright 2006-2018 www.diariodasaude.com.br. Todos os direitos reservados para os respectivos detentores das marcas. Reprodução proibida.