Células apontadas como responsáveis por Alzheimer são agentes de limpeza

Células apontadas como responsáveis por Alzheimer são agentes de limpeza
Células microgliais (verde) se acumulam e proliferam (vermelho) ao redor de uma placa de amiloide beta (azul) - por isso elas têm sido alvo de pesquisas envolvendo Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas.
[Imagem: Universidade de Southampton]

Microglia

Células imunológicas frequentemente apontadas como responsáveis pela doença de Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas são, na verdade, máquinas de limpeza de precisão que protegem o sistema nervoso central.

A descoberta adiciona novas nuances e mais complexidade ao nosso entendimento das células imunes conhecidas como microglia - a microglia já foi apontada como alvo para combater sintomas do Alzheimer.

"O que estamos descobrindo agora é que, em momentos muito precisos, sejam eles na doença ou em lesões, a microglia faz um bocado de coisas. É importante conhecer o papel e a função dessas células especialmente em relação à busca por terapias humanas," disse o professor Geoffrey Norris, da Universidade da Virginia (EUA).

Os novos dados revelam que uma lesão do sistema nervoso central ativa a microglia e as células respondem com precisão notável. "Parece que as microglias são muito receptivas ao trabalho," disse Norris. "Assim, ao invés de serem boas ou ruins, o que estamos basicamente vendo é que elas estão fazendo o que precisam fazer."

Papel da microglia - para o bem e para o mal

O pesquisador comparou as células a uma equipe de construção derrubando um prédio danificado: "Se você tem um prédio em ruínas depois de um incêndio, você geralmente leva o prédio embora, certo? Você o coloca em caminhões e o leva embora. Isso é o que a microglia está fazendo com esses destroços."

Mas a pesquisa não descarta a possibilidade de que a microglia possa ser muito agressiva nesse trabalho de remoção de detritos, ou talvez algo possa dar errado durante a remoção e contribuir para a doença.

Para continuar a analogia da casa, talvez a equipe de demolição esteja derrubando uma casa levemente danificada, em vez de simplesmente consertá-la. "Se a atividade da microglia é prejudicial ou não é algo que está apenas começando a ser compreendido," disse Norris.

Dependendo da progressão de uma doença, como Alzheimer ou Parkinson, "pode ser que a microglia já tenha feito muito trabalho e você precisaria de outra abordagem," acrescentou Norris.


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