08/05/2026

Refletir sobre coincidências felizes do passado aumenta a criatividade

Redação do Diário da Saúde
Refletir sobre as felizes coincidências do passado aumenta a criatividade
Para aumentar a criatividade, mexa-se - mesmo sentado.
[Imagem: Laila Milevski/Cornell University]

Felizes coincidências

As descobertas científicas feitas por acaso formam uma lista quase interminável: Supercola, penicilina, raios X, marcapassos, todos são exemplos de "acidentes felizes", invenções de indivíduos que tentavam fazer uma coisa e acabaram criando algo inesperado, mas tipicamente de muito mais valor do que o objetivo original.

A novidade é que esse "acaso", "acidente feliz", ou que nome lhe dermos, pode ser domado e posto a serviço de novas descobertas ainda mais interessantes.

"Nós descobrimos que, se você incentivar os funcionários a pensar em momentos do passado em que as coisas não saíram como planejado, independentemente de o resultado ter sido positivo ou negativo, eles se tornam mais criativos," disse o professe Alexander Fulmer, da Universidade Cornell (EUA).

Em um experimento de campo com funcionários de marketing e vendas de uma empresa de doces, bem como em quatro estudos de laboratório, Fulmer e sua equipe demonstraram que incentivar as pessoas a refletirem sobre um histórico de seus próprios resultados não-intencionais em diferentes situações pode melhorar o processo de tempestade de ideias, ou tempestade cerebral.

"Eles geram mais ideias durante o brainstorming e as ideias são de qualidade superior em comparação com quando os incentivamos a pensar em momentos em que tudo correu exatamente como planejado," contou Fulmer.

Refletir sobre as felizes coincidências do passado aumenta a criatividade
Plantar ideias nos sonhos pode melhorar a criatividade.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Ponderando sobre resultados inesperados

Os pesquisadores dividiram os funcionários de marketing e vendas em dois grupos, correspondentes a resultados intencionais e não-intencionais, e pediram que todos escrevessem reflexões sobre uma apresentação que tiveram em público, que tivesse ou não transcorrido conforme o planejado. Em seguida, os participantes de ambos os grupos deviam gerar o máximo de ideias possível para uma campanha de promoção de um dos produtos da empresa.

Os funcionários do grupo de resultados não-intencionais geraram uma média de 2,56 ideias, em comparação com 1,73 ideia do grupo de resultados intencionais.

Os experimentos subsequentes em laboratório revelaram o mesmo efeito: Refletir sobre momentos em que as coisas não saíram como planejado - mesmo que os resultados não-intencionais tenham sido positivos - levou a um aumento na geração de ideias. Os pesquisadores acreditam que a necessidade das pessoas de se sentirem no controle da situação desempenha um papel importante nesse efeito.

"Descobrimos que, quando as pessoas pensam em momentos em que as coisas não saíram como planejado no passado, elas se sentem menos no controle dos resultados," comentou Fulmer. "E as pessoas realmente não gostam de sentir que seu senso de controle está ameaçado, então existe essa inclinação automática para que elas tentem recuperar o controle. E elas fazem isso idealizando mais, e idealizando de forma mais criativa."

Checagem com artigo científico:

Artigo: Unintentional Outcomes as a Catalyst for Brainstorming
Autores: Taly Reich, Alexander G. Fulmer, Kelly B. Herd
Publicação: Personality and Social Psychology Bulletin
DOI: 10.1177/0146167226143565
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