
Neuroinflamação
Os cientistas adoram comparar o cérebro humano a uma máquina. Os neurocientistas, em particular, usam essa analogia para falar sobre o envelhecimento.
Por exemplo, dizem eles: Imagine que seu cérebro seja um motor de alto desempenho; ao longo das décadas, ele não apenas se desgasta, como também começa a superaquecer, e já não irá render tanto.
A comparação não é totalmente destituída de sentido: Pequenos focos de inflamação "ardem" lentamente no centro da memória do cérebro, criando uma névoa mental persistente que dificulta o raciocínio, a formação de novas memórias e até mesmo a adaptação a novos ambientes, aumentando o risco de doenças como o Alzheimer e outras formas de demência.
Os cientistas chamam essa queima lenta de "neuroinflamação do envelhecimento" e, por décadas, acreditou-se que essa inflamação crônica fosse o preço inevitável do envelhecimento.
A boa notícia é que pode não ser - o que, de quebra, mostra que a analogia entre nosso cérebro e uma máquina não é assim tão adequada.
Em um estudo histórico, Leelavathi Madhu e colegas da Universidade Texas A&M (EUA) demonstraram que a onda inflamatória responsável pelo envelhecimento cerebral e pela névoa mental pode ser reversível. E a solução não envolve nem mesmo uma cirurgia cerebral, mas um simples spray nasal.
Esta descoberta deverá remodelar o futuro das terapias neurodegenerativas e até mesmo mudar a forma como os cientistas encaram o próprio envelhecimento cerebral. "Doenças cerebrais relacionadas à idade, como a demência, são uma grande preocupação de saúde em todo o mundo," disse o professor Ashok Shetty. "O que estamos demonstrando é que o envelhecimento cerebral pode ser revertido, ajudando as pessoas a manterem-se mentalmente ativas, socialmente engajadas e livres do declínio relacionado à idade."
Spray para turbinar o cérebro
No cerne da descoberta estão milhões de partículas biológicas microscópicas conhecidas como vesículas extracelulares (VEs). Elas funcionam como veículos de entrega, transportando uma carga genética crucial, o famoso microRNA. Ao aplicar essas vesículas por um spray nasal em cobaias, a via que chega mais rapidamente ao cérebro, os cientistas conseguiram reverter o processo de neuroinflamação em algumas semanas, e o efeito durou meses.
Uma vez absorvidos pelas células imunes residentes do cérebro, os microRNAs suprimem sistemas como o inflamassoma NLRP3 e as vias de sinalização cGAS-STING, conhecidos por impulsionar a inflamação crônica em cérebros envelhecidos. Em nível celular, o tratamento recarregou as mitocôndrias neuronais, ou as usinas de energia que vivem dentro das células cerebrais.
Ao recarregar essas usinas de energia celular, a terapia não apenas eliminou a névoa mental, como também melhorou fisicamente a capacidade do cérebro de processar e armazenar informações. Testes comportamentais confirmaram os dados biológicos: Os modelos animais tratados com o spray nasal apresentaram melhorias notáveis não apenas no reconhecimento de objetos familiares, mas também na detecção de novos objetos e mudanças em seu ambiente, um contraste marcante com o grupo de controle.
Embora sejam necessárias mais pesquisas, a equipe já registrou uma patente para a terapia, estabelecendo um marco no que pode se tornar um avanço nos tratamentos para o envelhecimento cerebral.
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