28/01/2020

Uma célula pode ser capaz de destruir vários tipos de câncer

Redação do Diário da Saúde
Uma célula pode ser capaz de destruir vários tipos de câncer
Estão em andamento experimentos para determinar o mecanismo molecular preciso pelo qual a célula recém-descoberta distingue entre células saudáveis e câncer.
[Imagem: Michael D. Crowther et al. - 10.1038/s41590-019-0578-8]

Tratamento universal contra o câncer

Pesquisadores da Universidade de Cardiff, no País de Gales, descobriram um novo tipo da célula T - responsável pela defesa do organismo contra ameaças, como vírus e bactérias - que parece ser capaz de atacar e destruir a grande maioria dos tipos de câncer.

Embora a descoberta não tenha sido ainda testada em humanos - e isso deverá demorar - os pesquisadores acreditam que há um "enorme potencial" de que os testes venham a ser bem-sucedidos, levando a um "tratamento universal contra o câncer".

Michael Crowther e seus colegas descobriram no sangue uma célula-T (ou linfócito T, parte do sistema imunológico) com um novo tipo de receptor que identifica e ataca células cancerosas, ignorando as saudáveis.

Esse receptor funciona como um "gancho", que se agarra à maioria dos cânceres, ao mesmo tempo em que ignora as células saudáveis.

Terapia multicâncer

O professor Andrew Sewell, coordenador da equipe, afirmou que é "altamente incomum" encontrar uma célula com potencialidades terapêuticas tão vastas, e que a descoberta aumenta a perspectiva de criar uma "terapia universal" contra o câncer.

"A nossa descoberta aumenta a perspectiva para os tratamentos contra o câncer. Esse tipo de célula pode ser capaz de destruir muitos tipos diferentes da doença. Antes, ninguém achava que isso fosse possível. Essa foi uma descoberta acidental, ninguém sabia que essa célula existia," afirmou ele.

Os testes, feitos em culturas de célula em placas de Petri e em animais de laboratório, mostraram que o novo tipo de célula T pode localizar e matar uma grande variedade de células cancerígenas, incluindo as do câncer de pulmão, pele, sangue, mama, osso, próstata, ovário, rim e colo do útero.

Imunoterapias

Embora o processo como a célula ataca outras células ainda não seja compreendido, os cientistas acreditam que o receptor das células T interage com uma molécula, chamada MR1, que existe na superfície de todas as células do corpo humano.

Os cientistas acreditam que a MR1 seja a responsável por sinalizar ao sistema imunológico o metabolismo disfuncional que ocorre dentro de uma célula cancerosa. Diferentemente de outros receptores celulares, a MR1 não varia na população humana, o que significa que é um alvo interessante para atacar células doentes.

A ideia dos pesquisadores agora é prosseguir com os testes em busca do desenvolvimento de uma imunoterapia. Embora as imunoterapias sejam altamente controversas entre médicos e cientistas, este campo recebeu um enorme impulso quando seus criadores ganharam o prêmio Nobel de Medicina, em 2018.

As imunoterapias baseadas células T - conhecidas como CAR-T - usam células quiméricas, isto é, células do paciente manipuladas em laboratório, mas são altamente personalizadas, não funcionam bem contra tumores sólidos e os resultados nem sempre são os esperados.

"Existem muitos obstáculos a serem superados. No entanto, se este teste for bem-sucedido, espero que este novo tratamento possa ser usado em pacientes dentro de alguns anos," disse o professor Sewell.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Genome-wide CRISPR-Cas9 screening reveals ubiquitous T cell cancer targeting via the monomorphic MHC class I-related protein MR1
Autores: Michael D. Crowther, Garry Dolton, Mateusz Legut, Marine E. Caillaud, Angharad Lloyd, Meriem Attaf, Sarah A. E. Galloway, Cristina Rius, Colin P. Farrell, Barbara Szomolay, Ann Ager, Alan L. Parker, Anna Fuller, Marco Donia, James McCluskey, Jamie Rossjohn, Inge Marie Svane, John D. Phillips, Andrew K. Sewell
Publicação: Nature Immunology
DOI: 10.1038/s41590-019-0578-8

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