05/06/2020

Vacina brasileira contra covid-19 começa a ser testada em animais

Com informações da Agência Fapesp
Vacina brasileira contra covid-19 começa a ser testada em animais
Um diferencial da vacina brasileira é a utilização de partículas semelhantes a vírus, que não são capazes de gerar infecção.
[Imagem: Léo Ramos Chaves/Pesquisa FAPESP]

Primeiros testes

Pesquisadores do Instituto do Coração (InCor) da USP começaram a testar em camundongos formulações de uma potencial vacina contra a covid-19.

O objetivo dos ensaios pré-clínicos é identificar um imunizante, em uma determinada formulação e concentração, capaz de induzir uma resposta rápida e duradoura do sistema imunológico dos animais. Tal feito possibilitará avançar para as próximas etapas da pesquisa.

"Já conseguimos desenvolver três formulações de vacinas que estão sendo testadas em animais. Em paralelo, estamos formulando diversas outras para identificar a melhor candidata," explicou o professor Gustavo Cabral, responsável pelo projeto.

Parece vírus, mas não é

A estratégia utilizada pela equipe brasileira para desenvolver a vacina é baseada no uso de partículas semelhantes a vírus (VLPs, na sigla em inglês de virus-like particles).

Essas partículas possuem características semelhantes às de peptídeos e proteínas de vírus, como a de superfície do SARS-CoV-2 - a chamada "proteína arpão" -, usada pelo vírus para se conectar a um receptor nas células humanas - a proteína ACE2 - e infectá-las. Por isso, as partículas são facilmente reconhecidas pelas células do sistema imunológico, mas não têm material genético do patógeno, o que as torna seguras para o desenvolvimento de vacinas.

A fim de permitir que sejam reconhecidas pelo sistema imunológico e gerem uma resposta contra o coronavírus, as VLPs são inoculadas juntamente com antígenos - substâncias que estimulam o sistema imune a produzir anticorpos. E, por serem componentes biológicos naturais e seguros, as VLPs são facilmente degradadas.

"Com essa estratégia é possível direcionar o sistema imunológico para reconhecer as VLPs conjugadas a antígenos como uma ameaça e desencadear a resposta imune de forma eficaz e segura", afirmou o pesquisador.

Acompanhamento de longo prazo

Nos ensaios iniciais, as vacinas são injetadas nos camundongos em diferentes concentrações. A cada semana serão colhidas amostras do plasma sanguíneo dos animais para avaliar a produção de anticorpos induzidos pela vacina.

Ao acompanhar a evolução da resposta imunológica ao longo de meses, será possível identificar qual formulação de vacina, e em que concentração, é capaz de induzir a imunidade do animal ao longo do tempo e neutralizar o vírus.

"Esse acompanhamento contínuo também permitirá sabermos quantas doses da vacina serão necessárias para conferir imunidade," disse Cabral.

A expectativa dos pesquisadores é que os testes pré-clínicos sejam concluídos no final deste ano.

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