05/02/2019

Câncer de próstata: Cirurgia versus vigilância ativa

Redação do Diário da Saúde
Câncer de próstata: Cirurgia versus vigilância ativa
Tem havido muitas críticas ao exame de PSA, o que tem levado os pesquisadores a desenvolver novos tipos de exame para detectar o câncer de próstata.
[Imagem: Christel Bjork]

Vigilância ativa do câncer de próstata

Há algum tempo os médicos aprovam a vigilância ativa para o câncer de próstata, mas a maioria deles ainda não recomenda essa espera vigilante aos pacientes, frequentemente preferindo partir para a prostatectomia radical.

Agora, um novo ensaio de longa duração veio trazer novas informações para fundamentar melhor essas decisões e orientar os pacientes, evitando tratamentos desnecessários.

Saíram os resultados de um estudo feito na Escandinávia (Dinamarca, Suécia e Noruega), o SPCG-4: (Scandinavian Prostate Cancer Group Study Number Four), um acompanhamento de 29 anos de centenas de pacientes que foram aleatoriamente divididos em dois grupos, um para receber tratamento cirúrgico e outro para receber apenas o tratamento de sintomas no conceito de vigilância ativa, ou observação vigilante.

Os homens foram diagnosticados com câncer de próstata entre 1989 e 1999. Apenas 12% deles tiveram seu câncer detectado precocemente por terem seu sangue testado para antígeno específico da próstata (PSA), mas o estudo foi feito antes que esse exame passasse a ser usado rotineiramente naqueles países.

Morte por outras causas

Após 29 anos de acompanhamento, 80% dos homens haviam morrido. Destes, 32% morreram devido ao câncer de próstata, mas a maioria morreu de outras causas, ou seja, 68% morreram com o câncer, mas não do câncer.

O estudo mostrou que 19% tinham câncer incurável e 12% daqueles que passaram pela prostatectomia foram salvos de morrer pelo câncer - dentre os que morreram do câncer, foram 71 homens no grupo que passou pela cirurgia e 110 no grupo que recebeu apenas tratamento dos sintomas. Os resultados também mostraram que os homens que foram operados viveram, em média, 2,9 anos mais do que os homens que receberam tratamento apenas dos sintomas.

Assim, ficou evidente a partir deste estudo que homens saudáveis e cujo câncer de próstata avançado está confinado apenas à próstata podem se beneficiar muito da cirurgia.

Equilíbrio entre benefícios e efeitos colaterais

No entanto, verificou-se também que, apesar dos diagnósticos de câncer de próstata, muitos homens nunca sofreram de uma recaída séria durante suas vidas e nem morreram da doença.

A conclusão dos pesquisadores é que, para que o tratamento seja otimamente benéfico para os homens com câncer de próstata, é crucial encontrar o equilíbrio correto entre o benefício da prostatectomia, por um lado, e seus efeitos colaterais, por outro.

Eles salientam que, com a disseminação do exame de PSA, muitos homens estão sendo diagnosticados com câncer de próstata que nunca desenvolverão sintomas avançados ou com risco de vida. Com isto, em comparação com a década de 1990, mais homens com câncer de próstata devem ser ativamente acompanhados e tratados apenas se sinais de câncer avançado estiverem presentes.


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