29/09/2021

Por que a cirrose hepática faz o cérebro inchar?

Redação do Diário da Saúde

Cirrose faz cérebro inchar

A cirrose hepática é largamente associada ao alcoolismo, mas a ciência sabe muito pouco sobre esta doença.

Por exemplo, o que geralmente leva o paciente à morte é a chamada encefalopatia hepática.

Embora seja desencadeada inicialmente por danos ao fígado devido ao abuso de álcool ou infecções que geram inflamação do fígado (hepatite), a condição gera uma série de processos no corpo que causam um inchaço do cérebro. No final, o paciente entra em coma, com a morte sendo o desfecho de altíssima probabilidade.

Pesquisadores noruegueses acreditam agora ter encontrado uma primeira explicação para a deterioração das funções cerebrais que faz com que o cérebro inche na encefalopatia hepática aguda.

"O fígado nos ajuda a quebrar muitas toxinas diferentes no corpo. Nós comemos uma porção de proteínas que são queimadas no corpo, deixando a amônia como produto residual. Também temos bactérias benéficas no intestino que excretam amônia - mas a amônia é uma substância tóxica para o corpo. Por isso, dependemos do fígado para converter a amônia em ureia, que depois é excretada pelos rins como principal componente da urina," explicou o professor Farrukh Abbas Chaudhry, da Universidade de Oslo.

Se o fígado falha, pelo abuso de álcool ou pela hepatite, por exemplo, a amônia pode se acumular na corrente sanguínea e, eventualmente, acabar no cérebro.

Amônia faz o cérebro inchar

Mas como por que a amônia faz o cérebro inchar?

A equipe encontrou uma resposta em dois tipos de células do cérebro: Células nervosas e células gliais. As células nervosas se comunicam por meio de substâncias chamadas neurotransmissores, que são liberadas de uma célula para ativar ou inibir outra. A segunda célula pode, por exemplo, receber um sinal para gerar sinais elétricos, alterar suas propriedades ou produzir proteínas.

"O aminoácido glutamina é normalmente formado nas células gliais e transportado para as células nervosas a fim de produzir os dois neurotransmissores estimulantes e inibidores mais importantes (ou seja, substâncias sinalizadoras) no cérebro. Descobrimos que a amônia inibe o transporte de glutamina entre as células gliais e as células nervosas.

"Quando esse transporte é perturbado, as células nervosas não geram tantos neurotransmissores quanto deveriam e não podem, portanto, enviar mensagens para outras células da maneira normal. Ao mesmo tempo, essa falta de transporte leva ao acúmulo de glutamina e amônia nas células gliais. Isso atrai água para que as células gliais diluam as substâncias, resultando em aumento da pressão nas células gliais e, finalmente, no cérebro," explicou Chaudhry.

O pesquisador afirma que ficou surpreso com as descobertas tão claras: Que é apenas a glutamina transportando proteínas nas células gliais que é afetada, mas não nas células nervosas. Isso causa a falha nos sinais das células nervosas e o inchaço do cérebro, que são os dois principais sintomas da encefalopatia hepática.

A equipe acredita que sua descoberta estabelece um alvo claro para o desenvolvimento de novas terapias para tentar enfrentar essa condição avassaladora.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Perturbation of astroglial Slc38 glutamine transporters by NH 4 + contributes to neurophysiologic manifestations in acute liver failure
Autores: El Hassan Hamdani, Mariusz Popek, Malgorzata Frontczak-Baniewicz, Tor Paaske Utheim, Jan Albrecht, Magdalena Zielinska, Farrukh Abbas Chaudhry
Publicação: Faseb Journal
DOI: 10.1096/fj.202001712RR
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