25/05/2026

Cirurgia comum do joelho é ineficaz e pode ser prejudicial, dizem cientistas

Redação do Diário da Saúde
Cirurgia comum do joelho é ineficaz e potencialmente prejudicial, dizem cientistas
"Nossos resultados sugerem que este pode ser um exemplo do que é conhecido como reversão médica, onde uma terapia amplamente utilizada se mostra ineficaz ou até mesmo prejudicial."
[Imagem: Naturwohl-Gesundheit /Pixabay]

Meniscectomia parcial

A meniscectomia parcial - procedimento que remove parte do menisco degenerado - não melhora os sintomas ou a função dos pacientes a longo prazo, revelou um estudo controlado com cirurgia simulada (placebo) que acompanhou os participantes por uma década.

Na verdade, a notícia é ainda pior: Os pacientes submetidos à cirurgia apresentaram, após dez anos, mais sintomas, maior redução da função, progressão acelerada de osteoartrite e maior probabilidade de precisar de nova cirurgia no joelho em comparação com aqueles que passaram pela cirurgia simulada.

A meniscectomia parcial é uma das operações ortopédicas mais comuns no mundo, baseada na suposição de que a dor na parte interna do joelho é causada por uma lesão degenerativa do menisco medial que pode ser tratada cirurgicamente. Apesar de o número de procedimentos ter diminuído significativamente nos últimos anos, a cirurgia continua amplamente praticada internacionalmente.

Vários ensaios randomizados já haviam demonstrado que o procedimento não melhora sintomas ou função no curto (1-2 anos) ou médio prazo (5 anos), mas a prática persistiu em muitos países. A expectativa é que este novo estudo, com duração de uma década, venha finalmente colocar um ponto final na prática, dizem os autores do estudo.

Reversão médica

O estudo, chamado FIDELITY (Estudo Finlandês sobre Lesões Degenerativas do Menisco), é único por incluir um grupo de controle submetido a uma cirurgia simulada e por seu longo seguimento, de dez anos.

Pacientes com lesões degenerativas do menisco foram randomizados para receber a meniscectomia parcial ou a cirurgia placebo. O resultado, segundo os pesquisadores, pode ser um exemplo do que se chama de "reversão médica" - uma terapia amplamente utilizada que se mostra ineficaz ou mesmo prejudicial quando testada rigorosamente.

"O raciocínio baseado em credibilidade biológica ainda é muito comum na medicina, mas, neste caso, a suposição não resiste ao exame crítico," afirmam os autores.

Com base no conhecimento atual, a dor em várias articulações - incluindo o joelho - está relacionada à degeneração trazida pelo envelhecimento, e não a uma lesão mecânica que exija uma correção cirúrgica.

Dados de registros e estudos observacionais já haviam levantado preocupações sobre potenciais danos da meniscectomia parcial, incluindo maior risco de artroplastia (prótese de joelho) e de complicações pós-operatórias, mas evidências observacionais não podem demonstrar causalidade.

O ensaio clínico randomizado com placebo agora fornece a evidência mais robusta de que o procedimento não traz benefícios e pode, na verdade, causar danos. Apesar disso, organizações como a Academia Norte-Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS) e a Associação Britânica de Cirurgia do Joelho (BASK) continuam a endossar a cirurgia, enquanto entidades não-ortopédicas e independentes que produzem diretrizes clínicas já recomendam há quase uma década que o procedimento seja descontinuado.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Arthroscopic Partial Meniscectomy for Degenerative Tear - 10-Year Outcomesjourn
Autores: Roope Kalske, Raine Sihvonen, Mika Paavola, Antti Malmivaara, Ari Itala, Antti Joukainen, Juha Kalske, Heikki Nurmi, Pirjo Toivonen, Niko Sillanpaa, Tommi Kiekara, Aleksandra Turkiewicz, Martin Englund, Simo Taimela, Teppo L.N. Jarvinen
Publicação: New England Journal of Medicine
Vol.: 394 NO. 17
DOI: 10.1056/NEJMc2516079
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