18/05/2026

Estamos começando a entender como nossos genes interagem

Redação do Diário da Saúde
Estamos começando a entender como nossos genes interagem
Primeira versão do mapa das interações gene-gene em uma célula humana.
[Imagem: Chad Myers/University of Minnesota]

Genes não funcionam sozinhos

Embora os cientistas sejam tipicamente taxativos ao falar da genética (Coisas como "Está gravado nos seus genes"), o fato é que ainda sabemos pouco sobre como nossos genes determinam o que ou como somos, da nossa aparência à nossa suscetibilidade a doenças.

Esta é uma questão fundamental não apenas para a compreensão científica, mas também para a pesquisa biomédica. Contudo, mesmo a capacidade atual de sequenciar milhares de genomas humanos para identificar a ação de cada gene, a resposta taxativa é difícil porque os genes não são simples chaves liga-desliga - em vez disso, eles atuam em redes complexas.

Para adentrar nesse emaranhado de interações, uma equipe internacional de cientistas está se dedicando a construir um mapa das interações genéticas de uma célula humana - sim, precisamos começar do mais simples.

O consórcio acaba de publicar o primeiro rascunho desse trabalho, cobrindo cerca de 2,5% de todos os possíveis pares de genes, contendo aproximadamente 90 mil interações entre quatro milhões de pares examinados - foram 10 anos de trabalho para chegar a esse primeiro rascunho.

Embora inicial, o mapa já revelou relações gene-gene que ajudam a explicar por que a maioria dos genes pode ser removida sem consequências aparentes para a célula: Outro gene assume sua função, e os efeitos só se tornam visíveis quando ambos são desativados simultaneamente.

Estamos começando a entender como nossos genes interagem
O trabalho começou por genes tipicamente associados a doenças, mas levou uma década para mapear apenas 2,5% das interações de uma única célula.
[Imagem: Maximilian Billmann et al. - 10.1016/j.cell.2026.03.044]

Mapa das interações genéticas

Esta versão inicial do mapa das interações genéticas inclui pares de genes que ligam alvos de medicamentos e genes mutados em doenças humanas.

"Isso nos mostrou que genes que parecem dispensáveis no genoma humano são, na verdade, parte de um sistema regulatório mais complexo que a evolução construiu para tornar a célula mais robusta," explicou Maximilian Billmann, da Universidade de Bonn (Alemanha).

Os pesquisadores acreditam que o mapa já contém muitas outras relações gene-gene que podem ser usadas para combater doenças humanas, inclusive permitindo prever funções para genes até agora desconhecidos.

Apesar do avanço, o rascunho atual cobre apenas uma fração do genoma. Muitos mais pares de genes precisam ser investigados para completar nossa compreensão. Infelizmente, não é possível medir todos os pares experimentalmente - será necessário aprender com os princípios do primeiro rascunho e usar algoritmos, provavelmente baseados em inteligência artificial, para prever as interações mais promissoras.

"A interpretação funcional do genoma humano tem sido limitada pela falta de dados. Estamos ansiosos para ver como os dados que começamos a coletar há quase uma década podem preencher essa lacuna," concluiu Billmann.

Checagem com artigo científico:

Artigo: A global genetic interaction network of a human cell maps conserved principles and informs functional interpretation of gene co-essentiality profiles
Autores: Maximilian Billmann, Michael Costanzo, Xiang Zhang, Arshia Z. Hassan, Mahfuzur Rahman, Kevin R. Brown, Katherine S. Chan, Amy Hin Yan Tong, Carles Pons, Henry N. Ward, Catherine Ross, Jolanda van Leeuwen, Michael Aregger, Keith A. Lawson, Barbara Mair, Amy F. Roth, Nesli E. Sen, Duncan T. Forster, Guihong Tan, Patricia Mero, Sanna N. Masud, Yoonkyu Lee, Magali Aguilera-Uribe, Matej Uaj, Sylvia M.T. Almeida, Kamaldeep Aulakh, Urvi Bhojoo, Saba Birkadze, Nathaniel Budijono, Xunhui Cai, Joseph J. Caumanns, Jordan J. Chalmers, Megha Chandrashekhar, Daniel Chang, Ryan Climie, Kuheli Dasgupta, Adrian Drazic, Jose I. Rojas Echenique, Rafael Gacesa, Adrian Granda Farias, Andrea Habsid, Ira Horecka, Kristin Kantautas, Fenghu Ji, Dae-Kyum Kim, Seon Yong Lee, Wendy Liang, Hyobin Julianne Lim, Kevin Lin, Xueyibing Lu, Michael Maier, Babak Nami, Allison Nixon, Nicholas Mikolajewicz, Milad Mokhtaridoost, Lyudmila Nedyalkova, Thomas Rohde, Maria Sartori Rodrigues, Martin Soste, Eric Schultz, Wen Wang, Ashwin Seetharaman, Ermira Shuteriqi, Olga Sizova, David Thomson Taylor, Maria Tereshchenko, David Tieu, Jacob Turowec, Tajinder Ubhi, Sylvia Varland, Kyle E. Wang, Zi Yang Wang, Jiarun Wei, Yu-Xi Xiao, Philipp G. Maass, Bruno Reversade, Grant W. Brown, Benjamin F. Cravatt, Scott J. Dixon, Haley D.M. Wyatt, Hannes L. Röst, Frederick P. Roth, Tian Xia, Gary D. Bader, Robbie Loewith, Nicholas G. Davis, Brenda Andrews, Chad L. Myers, Jason Moffat, Charles Boone
Publicação: Cell
DOI: 10.1016/j.cell.2026.03.044
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