Democracias são mais propensas a iniciar guerras do que ditaduras

Democracias são mais propensas a iniciar guerras do que ditaduras
Os dados indicam que os custos de audiência são mais altos nas democracias com forte proteção para uma imprensa livre.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Custos de audiência

Que tipo de líder político tem mais propensão a iniciar uma guerra - um ditador encastelado no poder valendo-se da força ou o chefe eleito de uma nação democrática?

Surpreendentemente, a ciência diz que provavelmente não será o autocrata a disparar o primeiro tiro.

Na verdade, os líderes de nações democráticas têm incentivos mais fortes para iniciar e exacerbar conflitos com outros países do que seus colegas ditadores, garantem Michael Gibilisco (Caltech) e Casey Crisman Cox (Universidade do Texas).

A diferença está na pressão pública - por causa da pressão dos eleitores para não recuar e parecer fraco, os líderes democráticos tendem a agir de forma mais agressiva nos conflitos internacionais.

Um autocrata, por sua vez, não depende de eleições e pode recuar de um conflito sem enfrentar consequências pessoais. Além disso, qualquer resultado negativo pode ameaçar seu reinado.

"Se um líder eleito fizer uma ameaça durante um conflito com outro país e a ameaça não for cumprida, ele poderá sofrer uma queda nos índices de aprovação ou perder uma eleição," disse Gibilisco. "Nas democracias, os eleitores podem punir seus líderes por parecerem fracos - essas punições ou consequências são conhecidas como 'custos de audiência' no jargão da ciência política. Para evitar esses custos, os líderes dos governos representativos se tornam mais agressivos durante as disputas."

No geral, os dados indicam que os custos de audiência são mais altos nas democracias com forte proteção para uma imprensa livre.

No entanto, os custos de audiência também são muito menores nas democracias que têm um rival que ameaça sua existência. Um dos motivos, dizem os pesquisadores, é que os eleitores de uma nação darão ao seu líder mais liberdade para decidir como resolver um conflito com um rival existencial porque a sobrevivência é uma preocupação maior do que salvar a cara do líder.

Mas há outras dinâmicas em jogo que não deixam a situação ser tão simples quanto democracias produzindo guerras e ditadores fugindo delas. Por exemplo, um líder democrático pode ser menos propenso a iniciar um conflito, já que ele sabe que não será capaz de se distanciar facilmente dele.


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