
Tratar hipertensão sem medicamentos
Um novo dispositivo bioeletrônico flexível e adesivo, feito principalmente de hidrogel, um material macio e gelatinoso, conseguiu aliviar a hipertensão de forma rápida e segura, de modo não-medicamentoso.
A hipertensão afeta quase metade dos adultos, e aproximadamente um em cada dez desses pacientes sofre de hipertensão resistente a medicamentos, uma condição crônica que não responde bem, ou não responde de forma alguma, a combinações de três a cinco fármacos.
O aparelho estimula suavemente o seio carotídeo (região da artéria carótida rica em barorreceptores) para modular o reflexo barorreceptor, controlando a pressão alta. Em testes em cobaias, o dispositivo reduziu a pressão arterial em mais de 15% em média em quatro das cinco frequências elétricas testadas.
Após a retirada, duas semanas depois, os tecidos que ficaram em contato com o implante apareceram limpos e sem danos ou resposta imune.
Marzia Momin e colegas da Universidade Estadual da Pensilvânia (EUA), responsáveis pelo desenvolvimento, afirmam que a técnica de fabricação usada para desenvolver o aparelho permite projetar, fabricar e adaptar dispositivos bioeletrônicos de modo rápido e barato, abrindo o caminho para os testes clínicos em humanos.

Implante bioletrônico macio e flexível
Quando mesmo as combinações de medicamentos não funcionam contra a pressão alta, dispositivos bioeletrônicos, que usam sinais elétricos para controlar os sistemas de resposta natural do corpo, oferecem uma alternativa promissora.
O alvo é o reflexo barorreceptor, no qual as paredes das artérias se contraem e se expandem para ajustar as mudanças na pressão arterial, movimentos esses desencadeados por terminações nervosas especializadas (barorreceptores) localizadas em todo o corpo, especialmente no seio carotídeo.
Já existem dispositivos bioeletrônicos para esse fim, mas eles são geralmente feitos de metais rígidos e plásticos, que não se integram bem aos tecidos moles do corpo, e são fixados com suturas. Mas essas ligações mecânicas podem causar danos tanto aos dispositivos quanto aos tecidos ao longo do tempo, à medida que as artérias se esticam e se contraem.
O novo aparelho resolve esses problemas graças à sua constituição, baseada em hidrogel: Eletrodos condutores de hidrogel transmitem eletricidade, e um hidrogel adesivo oferece uma forte adesão. O projeto combina melhor com a mecânica do tecido, mantendo adesão contínua mesmo após seis meses de armazenamento. Testes de laboratório mostraram que o aparelho pode ser esticado mais de duas vezes seu tamanho original antes de quebrar. Quando comparado a eletrodos tradicionais de platina, o novo aparelho aderiu mais firmemente aos tecidos e manteve uma conexão elétrica mais confiável.
O próximo passo será ajustar a eficácia do implante e ampliar sua escala de produção, para finalmente chegar aos ensaios clínicos para tratar hipertensão em humanos. O dispositivo também poderá ter aplicações futuras em outras condições que envolvam a modulação de reflexos autonômicos.
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