
Sensores de cheiro
Pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard (EUA) mapearam pela primeira vez a organização espacial dos mais de mil tipos de receptores de odor no nariz de camundongos.
Ao contrário do que diziam as teorias aceitas há mais de 30 anos, os neurônios que expressam esses receptores olfativos não estão distribuídos aleatoriamente, em vez disso formando faixas horizontais sobrepostas do topo ao fundo do nariz. A estrutura é altamente organizada e consistente entre os indivíduos.
O mapa também revela que essa organização no nariz corresponde a mapas de cheiro no bulbo olfatório do cérebro, fornecendo pistas cruciais sobre como a informação olfativa se move do nariz ao cérebro – e abrindo caminho para o desenvolvimento de terapias para perda de olfato, atualmente inexistentes.
Embora existam mapas detalhados para visão, audição e tato há muito tempo, o olfato permanecia a exceção, em parte por ser muito mais complexo: Camundongos têm cerca de 20 milhões de neurônios olfativos que expressam mais de mil tipos de receptores de cheiro, contra apenas três tipos principais de receptores visuais para visão de cores.

Mapa do olfato
Desde a descoberta dos primeiros tipos de receptores olfativos, em 1991, os cientistas só conseguiram observar que os receptores tendiam a ser expressos em uma de algumas zonas do tecido olfativo, levando à teoria predominante de que a expressão dos receptores era amplamente aleatória.
Na tentativa de confirmar essas teorias, David Brann e seus colegas usaram técnicas combinadas de sequenciamento de célula única e transcriptômica espacial para examinar cerca de 5,5 milhões de neurônios em mais de 300 camundongos, uma escala de dados sem precedentes, que os autores descrevem como "o tecido neural mais sequenciado até hoje".
Os resultados revelaram que os neurônios estão organizados em faixas horizontais sobrepostas baseadas no tipo de receptor de odor que expressam. Além disso, o ácido retinóico, uma molécula que ajuda a controlar a atividade gênica, funciona como o principal fator que orienta cada neurônio a expressar o tipo correto de receptor de odor com base em sua localização espacial - adicionar ou remover ácido retinóico desloca o mapa dos receptores para cima ou para baixo.
Os pesquisadores agora estão explorando por que as faixas de receptores estão nessa ordem específica e estudando receptores de cheiro em tecido humano para entender até que ponto o mapa é consistente entre espécies. Esse conhecimento é fundamental para desenvolver tratamentos para perda de olfato - de terapias com células-tronco a interfaces cérebro-computador -, uma condição que afeta profundamente a saúde humana, aumentando o risco de depressão.
"O olfato tem um efeito profundo e generalizado na saúde humana; restaurá-lo não é apenas para prazer e segurança, mas também para o bem-estar psicológico. Sem entender esse mapa, estamos condenados a falhar no desenvolvimento de novos tratamentos," concluiu o professor Sandeep Datta.
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