29/08/2019

Leituras rápidas na internet atrapalham compreensão da ciência?

Redação do Diário da Saúde
Leituras rápidas na internet atrapalham compreensão da ciência?
O estudo foi baseado na análise do cérebro e do movimento dos olhos dos estudantes enquanto eles liam textos científicos ou mensagens esparsas típicas das comunicações por redes sociais.
[Imagem: Chun-Ting Hsu et al. - 10.1038/s41598-019-47176-7]

Leitura e compreensão

A interação excessiva com dispositivos eletrônicos parece estar relacionada com uma redução na atividade de áreas do cérebro que são fundamentais para a compreensão de textos complexos, como os artigos científicos.

Em um experimento que usou neuroimagem e rastreamento ocular para monitorar a atividade cerebral, pesquisadores descobriram que o uso frequente de aparelhos eletrônicos - leitura de mensagens e reportagens em celulares e tablets - tem uma correlação negativa com a atividade em áreas do cérebro críticas para a integração de múltiplas fontes de informação.

Textos expositivos, como artigos em um livro de ciências, normalmente usam informações interconectadas, o que significa que o material em uma parte do texto deve ser associado a informações encontradas em outra parte do texto, especialmente quando se lê com o propósito de entender conceitos interconectados.

Ao ler textos mais integrados, os leitores precisam integrar muitas informações que estão organizadas em uma hierarquia no artigo. Assim como uma pessoa se exercita para fortalecer certos músculos, os pesquisadores sugerem que usar certas áreas do cérebro e ignorar outras pode fazer com cada uma dessas seções se tornem mais fortes ou mais fracas. Assim, pessoas que leem ou escrevem informações isoladas ou desconexas com muita frequência podem não estar preparando o cérebro em todo o seu potencial para absorver múltiplos conceitos em artigos longos e de maior complexidade.

"Se você não pode captar - ou entender - esta hierarquia, então você não está captando a essência dos conceitos. Compreender a ciência não é colocar sentenças ou pedaços de textos aleatoriamente juntos, é colocar os conceitos-chave nessas sentenças juntos em uma estrutura hierárquica - que é algo com que muitos alunos estão tendo problemas hoje," disse o professor Ping Li, da Universidade Estadual da Pensilvânia (EUA).

Como o estudo foi feito

Os pesquisadores, que relataram suas descobertas na revista Nature Scientific Reports, usaram a tecnologia de ressonância magnética funcional, que monitora a atividade cerebral, para buscar padrões cerebrais que pudessem estar associados à integração de informações durante a leitura.

Simultaneamente, eles rastrearam os padrões de movimento ocular dos alunos para entender melhor como os leitores seguem os textos científicos.

"É importante notar que o que estamos mostrando aqui não é causalidade. Neste momento, estamos apenas mostrando a correlação entre essas áreas do cérebro e o uso excessivo de dispositivos eletrônicos," ressalva Li.

De acordo com a equipe, as pesquisas futuras poderão trazer informações mais detalhadas separando o efeito que o uso de dispositivos eletrônicos tem em diferentes faixas etárias.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Neurocognitive Signatures of Naturalistic Reading of Scientific Texts: A Fixation-Related fMRI Study
Autores: Chun-Ting Hsu, Roy Clariana, Benjamin Schloss, Ping Li
Publicação: Nature Scientific Reports
Data: 9, Article number: 10678
DOI: 10.1038/s41598-019-47176-7

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