28/05/2026

Órgãos criados em laboratório são transplantados com sucesso

Redação do Diário da Saúde
Órgãos criados em laboratório são transplantados com sucesso
Bandejas ranhuradas especiais produzem organoides intestinais maiores e de crescimento mais rápido, para uso em pesquisa médica e, no futuro, para reparo de tecido humano.
[Imagem: Cincinnati Children Hospital]

Miniórgãos grandes e funcionais

Cientistas criaram um sistema de bandejas de cultura impressas em 3D que permite não apenas produzir organoides funcionais do intestino delgado, cólon e estômago, como também permite fazer isto na escala dos centímetros, o que significa miniórgãos quase 10 vezes maiores do que os feitos até hoje.

E tem mais: Os miniórgãos desenvolvem seus próprios nervos, dispensando inserções complicadas, ficam prontos na metade do tempo e já foram transplantados com sucesso em modelos animais, algo inédito até agora nessa escala.

"Como atingem a maturidade para transplante duas vezes mais rápido e desenvolvem seus próprios nervos funcionais, esses organoides demonstram como os princípios da engenharia podem impulsionar a inovação biológica. Nosso sistema de cultura confinada é mais do que um método de produção; é uma plataforma escalável e flexível para a construção de tecidos humanos complexos," disse a pesquisadora Holly Poling, do Hospital Infantil do Cincinnati (EUA).

A inovação resolve dois gargalos históricos da medicina regenerativa: O tamanho insuficiente dos organoides para aplicações terapêuticas e a dificuldade de introduzir neles um sistema nervoso funcional. Surpreendentemente, a plataforma aparentemente simples garantiu que os novos organoides desenvolvam suas próprias células nervosas de forma espontânea.

Órgãos criados em laboratório são transplantados com sucesso
Se os desenvolvimentos continuarem com o sucesso apresentado até agora, a medicina de organoides pode permitir que bebês e crianças com órgãos disfuncionais sejam tratados sem nunca precisar de um transplante completo de órgão.
[Imagem: Holly M. Poling et al. - 10.1038/s41551-026-01688-6]

Transplante de tecidos

Especialistas em medicina de organoides digestivos vêm aprimorando a sofisticação desses tecidos cultivados em laboratório há mais de 15 anos. Mas o salto necessário dos experimentos de laboratório para as aplicações clínicas exige quantidades de tecido personalizado suficientes para serem transplantadas em pacientes.

O novo método usas as bandejas com ranhuras cuidadosamente projetadas para criar filas de matrizes celulares que formarão os organoides, forçando-as a se fundir e amadurecer. Em um meio de cultura especial, no sexto dia os esferoides já se fundiram em construções unificadas ao longo das ranhuras. Após mais oito dias no meio de cultura seguinte, adequado à nova etapa de crescimento, os organoides já produziram todos os tipos celulares e estruturas que antes exigiam 28 dias para serem alcançados.

Os tecidos foram transplantados em roedores geneticamente modificados para minimizar o risco de rejeição. Todos os enxertos se integraram com sucesso e, após o crescimento nos animais, a equipe produziu até 8 centímetros de tecido de intestino delgado funcional - em comparação com aproximadamente 1 centímetro que se conseguia fazer até agora.

Mais importante, a função neuromuscular do tecido agora é semelhante à do tecido humano nativo, representando um avanço significativo. "Estamos agora aptos não apenas a gerar organoides gastrointestinais complexos em escala, mas também a guiar sua diferenciação em tecidos funcionais com redes neuronais entéricas integradas," escreveu a equipe.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Large-scale and innervated functional human gut tissues for transplantation via transient spheroid confinement
Autores: Holly M. Poling, Théo Noël, Akaljot Singh, Garrett W. Fisher, Konrad Thorner, Praneet Chaturvedi, Kalpana Nattamai, Kalpana Srivastava, Matthew R. Batie, Taylor Hausfeld, Amy L. Pitstick, Nicole E. Brown, Séverine Ménoret, Ignacio Anegon, Riccardo Barrile, Christopher N. Mayhew, Takanori Takebe, James M. Wells, Michael A. Helmrath, Maxime M. Mahe
Publicação: Nature Biomedical Engineering
DOI: 10.1038/s41551-026-01688-6
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