14/12/2009

Pais não devem ter pressa em ensinar autocontrole às crianças

Redação do Diário da Saúde
Pais não devem ter pressa em ensinar autocontrole às crianças
Pesquisadores sugerem que o ensino do autocontrole, quando leva as crianças rumo à maturidade muito cedo, pode ser até prejudicial para o desenvolvimento cerebral.
[Imagem: Thompson-Schill Lab]

Falta de atenção das crianças

Crianças se distraem facilmente. Suas mentes pulam constantemente daqui para ali e elas são péssimas em se concentrar mesmo nos assuntos mais estimulantes. Elas podem estar fascinadas por um novo brinquedo colorido, mas apenas até que surja um outro brinquedo.

Isto pode deixar loucos os pais e os professores, sempre às voltas com tentativas de controlar a impulsividade das crianças sob seus cuidados.

Mas será que devemos realmente tentar ensinar autocontrole às crianças?

Maturidade precoce

Psicólogos estão começando a se fazer esta pergunta, e alguns sugerem que o ensino do autocontrole, quando leva as crianças rumo à maturidade muito cedo, pode ser até prejudicial para o desenvolvimento cerebral.

A neuropsicóloga Sharon Thompson-Schill e seus colegas da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, estudaram uma região do cérebro chamado córtex pré-frontal, a parte do cérebro que filtra informações irrelevantes e nos ajudar a nos concentrarmos em algo.

O córtex pré-frontal é também a última parte do cérebro a amadurecer e se tornar totalmente funcional. Ele fica para trás do restante do cérebro até por volta dos quatro anos de idade.

Vantagens infantis

Em um artigo publicado na revista científica Current Directions in Psychological Science, o grupo de Sharon sugere que um córtex pré-frontal imaturo pode não ser de fato uma deficiência, mas uma vantagem nos primeiros anos de vida.

Para as crianças, isto pode ser uma vantagem porque elas não precisam ficar fazendo suposições e nem levantando hipóteses sobre o que vai acontecer ou sobre o que seria mais adequado que elas fizessem. Isso as faz se comportar na base da força bruta.

Elas têm muitas coisas que aprender e muito desse aprendizado tem a ver com regras e convenções do tipo "direto e rápido": tome esta atitude e você terá aquele efeito e, quanto mais rapidamente você agir, mais rapidamente terá o efeito.

Aprendizado da linguagem

De fato, defendem os pesquisadores, essa rigidez pode ser essencial na aquisição da linguagem. Aprender a falar é uma tarefa intimidadora, exigindo que se diga a coisa certa no contexto certo e concordando com as outras pessoas que estas são as coisas adequadas a se dizer.

É por isto, segundo eles, que as crianças aprendem idiomas muito mais facilmente do que os adultos. Sem tentar falar a coisa certa todas as vezes, elas simplesmente falam na base da "força bruta" e vão aprendendo rapidamente.

E não é apenas a língua. As crianças têm que dominar todos os tipos de convenções sociais que devem simplesmente ser aprendidas. Nesse sentido, tentar acelerar o desenvolvimento do cérebro pode ser não só difícil como imprudente.

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