18/12/2018

Revestimento repele de bactérias a vírus, mas deixa o que você precisa

Redação do Diário da Saúde
Revestimento seletivo repele tudo, menos o que você procura
A superfície pode ser projetada para repelir ou reter substâncias específicas - sangue, neste caso.
[Imagem: Kevin Patrick Robbins/McMaster University]

Revestimento seletivo

Pesquisadores canadenses desenvolveram revestimentos de superfície que podem repelir tudo, de bactérias e vírus até células vivas.

A grande novidade, contudo, é que esses revestimentos podem ser customizados para permitir exceções benéficas, ou seja, quais materiais eles "aceitam".

A inovação é promissora para aplicações médicas, tornando possível que implantes - como enxertos vasculares, válvulas cardíacas e articulações artificiais - liguem-se ao corpo sem risco de infecção ou coagulação sanguínea.

No caso de uma válvula cardíaca artificial, por exemplo, um revestimento repelente pode impedir que as células do sangue grudem e formem coágulos, tornando o implante muito mais seguro. Por outro lado, um revestimento completamente repelente pode impedir que o corpo integre a nova válvula ao tecido do próprio coração.

A nova nanotecnologia também tem potencial para reduzir grandemente falsos positivos e falsos negativos em exames médicos, eliminando a interferência de elementos não-alvo no sangue e na urina.

Implantes e exames

A pesquisa dá uma nova utilidade às superfícies completamente repelentes, que foram inventadas em 2011. Esses revestimentos são úteis para impermeabilizar telefones e pára-brisas de carros e para repelir bactérias em áreas de preparação de alimentos, por exemplo, mas oferecem utilidade limitada em aplicações médicas, onde é preciso prever associações benéficas específicas.

"Foi uma grande conquista ter superfícies completamente repelentes, mas, para maximizar os benefícios de tais superfícies, precisávamos criar uma porta seletiva que permitisse a união de elementos benéficos com essas superfícies," explicou o pesquisador Tohid Didar, da Universidade McMaster (Canadá).

Ao projetar uma superfície para permitir a adesão apenas às células do tecido cardíaco, por exemplo, Didar está possibilitando que o corpo integre a nova válvula naturalmente, evitando as complicações da rejeição. O mesmo deverá ocorrer com outros implantes, como articulações artificiais e stents utilizados para abrir os vasos sanguíneos.

Fora do corpo, superfícies repelentes projetadas seletivamente podem tornar os exames mais precisos, permitindo que apenas o alvo específico de um teste - um vírus, bactéria ou célula cancerosa, por exemplo - se ligue ao biossensor que está procurando por ele.


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