05/10/2021

Sensor de DNA detecta se vírus está presente e se ele é infeccioso

Redação do Diário da Saúde
Sensor de DNA detecta se vírus está presente e se ele é infeccioso
Este sensor consegue distinguir vírus infecciosos de não infecciosos, graças a fragmentos de DNA seletivos e tecnologia de nanoporos.
[Imagem: Ana Peinetti]

Nanoporos

Um novo sensor consegue não apenas detectar se um vírus está presente, mas também informa se ele é infeccioso.

Pesquisadores da Universidade de Illinois (EUA) desenvolveram o sensor integrando fragmentos de DNA especialmente projetados e a tecnologia de nanoporos, aberturas finíssimas em membranas, que direcionam os vírus e permitem que eles sejam detectados. O teste dura alguns poucos minutos e não exige qualquer pré-tratamento das amostras.

"O estado de infecciosidade é uma informação muito importante que pode nos dizer se os pacientes são contagiosos ou se um método de desinfecção ambiental funciona," explicou a professora Ana Peinetti. "Nosso sensor combina dois componentes principais: Moléculas de DNA altamente específicas e tecnologia de nanoporos altamente sensível. Desenvolvemos essas moléculas de DNA altamente específicas, chamadas aptâmeros, que não apenas reconhecem vírus, mas também podem diferenciar o status de infectividade do vírus."

A equipe demonstrou o poder do seu sensor com dois vírus que causam infecções em todo o mundo: O adenovírus humano e o vírus que causa a covid-19.

"Com o vírus que causa a covid-19, foi demonstrado que o nível de RNA viral tem uma correlação mínima com a capacidade de infecção do vírus. No estágio inicial, quando uma pessoa é infectada, o RNA viral é baixo e difícil de detectar, mas o pessoa é altamente contagiosa," disse o pesquisador Yi Lu. "Quando uma pessoa está recuperada e não mais transmite o vírus, o nível de RNA viral pode ser muito alto. Os testes de antígeno seguem um padrão semelhante, embora ainda mais tarde do que o RNA viral. Portanto, tanto os testes de RNA viral como os testes de antígeno são pobres em informar se um vírus é infeccioso ou não. Isso pode resultar em atraso no tratamento ou na quarentena, ou a liberação prematura de quem ainda pode ser contagioso."

Exames para detectar vírus

O "padrão ouro" da detecção de vírus, os testes de PCR (reação em cadeia da polimerase), detectam o material genético viral, mas não conseguem distinguir se uma amostra é infecciosa ou determinar se uma pessoa está em estágio contagioso, o que dificulta o rastreamento e a contenção dos surtos virais.

Existem testes que detectam vírus infecciosos, chamados ensaios de placa, mas eles requerem preparação especial e dias de incubação para fornecer os resultados.

O novo método de detecção pode produzir resultados entre 30 minutos e duas horas e, como não requer pré-tratamento da amostra, pode ser usado em vírus que não se multiplicam em laboratório e, portanto, não são detectados pelos ensaios de placa.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Direct detection of human adenovirus or SARS-CoV-2 with ability to inform infectivity using DNA aptamer-nanopore sensors
Autores: Ana S. Peinetti, Ryan J. Lake, Wen Cong, Laura Cooper, Yuting Wu, Yuan Ma, Gregory T. Pawel, María Eugenia Toimil-Molares, Christina Trautmann, Lijun Rong, Benito Mariñas, Omar Azzaroni, Yi Lu
Publicação: Science Advances
DOI: 10.1126/sciadv.abh2848
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