01/04/2019

Vírus não precisam estar inteiros em uma célula para causar infecção

Redação do Diário da Saúde
Vírus não precisam estar inteiros em uma célula para causar infecção
Esses vírus infectam o hospedeiro mesmo que seus segmentos genômicos não estejam juntos dentro de células individuais.
[Imagem: 10.7554/eLife.43599.003]

Vírus multipartite

Cientistas descobriram que diferentes segmentos do genoma de um tipo de vírus podem existir em células distintas, mas ainda assim funcionar em conjunto para causar uma infecção.

É como se um vírus funcionasse como um sistema único vivendo em múltiplas células.

Esta descoberta bate de frente com o modelo fundamental aceito hoje pelos virologistas, que consideram que um genoma viral entra e se replica dentro de uma única célula e, em seguida, migra para se replicar em outra.

Vírus multipartites, ou vírus híbridos, são sistemas virais intrigantes porque seu genoma é dividido em vários segmentos e cada um fica contido dentro de uma partícula viral distinta. Há muito os cientistas acreditam que todos os segmentos do genoma deveriam se mover juntos de uma célula para outra para causar uma infecção.

Mas este novo estudo mostra que não é bem assim.

"As chances de um vírus multipartite perder um segmento essencial do genoma durante a transmissão são tão altas que sua capacidade de causar uma infecção tem sido um mistério de longa data. Nós nos propusemos a testar uma possibilidade ousada: Poderia esse vírus infectar um hospedeiro mesmo que seus segmentos genômicos não estejam juntos dentro de células individuais?" detalhou a pesquisadora Anne Sicard, do Instituto Nacional de Pesquisa Agrícola (INRA), na França.

Vírus em múltiplas células

Para investigar os vírus multipartites, a equipe estudou um vírus que ataca o feijão, que tem oito segmentos distintos de genoma, e usaram sondas fluorescentes para detectar a presença dos diferentes segmentos virais em células individuais das plantas.

Curiosamente, a equipe descobriu que segmentos distintos são mais frequentemente encontrados em células diferentes. Isso se aplica até mesmo a segmentos do genoma que codificam funções vitais, como a replicação, encapsidação (o processo de envolver o DNA viral em uma capa protetora) e o movimento do vírus entre as células. Não foi encontrada nenhuma ligação entre as quantidades dos diferentes segmentos nos estágios iniciais ou posteriores da infecção, mostrando que o acúmulo dos segmentos é independente.

"Juntando tudo, demonstramos que segmentos distintos do genoma de um vírus não estão necessariamente juntos dentro de células hospedeiras individuais, e que o acúmulo de um segmento genômico em uma célula é inteiramente independente do acúmulo de outros," detalhou o professor Stephane Blanc. "É concebível que esse modo de vida 'multicelular' possa ser adotado em numerosos sistemas virais e abrir um horizonte de pesquisa inteiramente novo em virologia".

As descobertas foram publicadas na revista científica de acesso aberto eLife.


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