01/08/2018

Vírus do Nilo Ocidental é identificado pela primeira vez no Brasil

Com informações da Agência Fapesp
Vírus do Nilo Ocidental é identificado pela primeira vez no Brasil
A boa notícia é que as estimativas indicam que o Brasil não deverá ter grandes surtos do novo vírus.
[Imagem: James Gathany-CDC]

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O vírus do Nilo Ocidental chegou ao Brasil.

Pesquisadores do Instituto Evandro Chagas de Belém (PA) anunciaram ter feito o primeiro isolamento do vírus em equinos de uma fazenda no Espírito Santo, mortos por encefalite - inflamação do cérebro e das meninges - causada pelo vírus.

O vírus do Nilo Ocidental é da mesma família do zika, também originário da África e transmitido por mosquitos. Entrou nas Américas pelos Estados Unidos, no fim da década de 1990, dispersou-se rapidamente naquele país e migrou para as Américas Central e do Sul.

"Desde que surgiram os primeiros casos de infecção pelo vírus do Nilo Ocidental nos Estados Unidos começamos a fazer um monitoramento de aves silvestres - que são os principais hospedeiros do vírus - a fim de tentar isolar esse vírus no Brasil, mas até então só tínhamos algumas evidências sorológicas," contou o pesquisador Pedro Fernando da Costa Vasconcelos.

Os pesquisadores também sequenciaram o genoma completo do vírus isolado. As análises indicaram que o genótipo do vírus encontrado nos equinos é o mesmo do vírus do Nilo Ocidental que tem sido isolado nos Estados Unidos, além da Argentina e Canadá, onde também há relatos de infecção pelo vírus.

"Isso mostra que o vírus se dispersou pelas Américas provavelmente por aves silvestres", disse Pedro.

Vírus no Nilo Ocidental no Brasil

A maioria dos casos de infecção de humanos pelo vírus do Nilo Ocidental são assintomáticos ou manifestam poucos sintomas, como febre, dores de cabeça, fadiga, dores musculares, náuseas, perda de apetite e exantema (rash ou lesões vermelhas). Em 1% dos casos, contudo, o vírus afeta o sistema nervoso central e causa uma doença neurológica, que provoca inflamação do cérebro e das meninges e leva o paciente a óbito.

Uma vez que a população brasileira tem muita imunidade para flavivírus e já se sabe que há uma reatividade cruzada entre eles, estima-se que a incidência de casos de infecção graves pelo vírus do Nilo Ocidental no Brasil serão bem menores do que os que ocorreram nos Estados Unidos.

"Não esperamos que ocorram muitos casos de infecção grave por vírus do Nilo Ocidental no Brasil, como ocorreu nos Estados Unidos, por que lá não tem dengue, eles não se vacinam contra febre amarela e não há outros flavivírus que circulam imensamente no Brasil, como zika, chikungunya, dengue e febre amarela," disse Pedro.


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